Executivo vira CEO da Regus e hoje comanda o prédio onde começou a carreira como segurança

Tiago Alves lidera empresa com operações globais e faturamento superior a R$ 500 milhões por mês no mercado de escritórios compartilhados no Brasil

  • Por Jovem Pan
  • 23/03/2021 19h25 - Atualizado em 23/03/2021 19h33
Tiago Angelo Alves/Instagram/19.02.2021Tiago Alves é CEO da Regus no Brasil

O programa “Conselho de CEO“, da Jovem Pan, apresentado pelo jornalista Carlos Sambrana, traz como convidado nesta terça-feira, 23, o CEO da Regus no Brasil, Tiago Alves. Quem vê o executivo no comando de uma das principais empresas no setor de escritórios compartilhados e flexíveis do Brasil pode não imaginar que ele nem sempre teve a carreira marcada pelo mundo empresarial. Antes de assumir o cargo, Alves foi torneiro mecânico, segurança e até mesmo instalador de insulfilm. Hoje, com um MBA em gestão empresarial pela Fundação Getúlio Vargas e outro em gestão de negócios pela University Of California, ele comanda a organização que tem 70 unidades de escritórios compartilhados no Brasil dentro de uma área de 110 mil m² locada e computa um faturamento superior a R$ 500 milhões. Dentro de um segmento altamente competitivo e repleto de dúvidas sobre se o mundo voltará a ser como antes da pandemia nos próximos anos, o executivo fala sobre o futuro do trabalho no país.

O CEO acredita que o período de pandemia fez com que, pela primeira vez, o mundo acordasse para a realidade do modelo de trabalho híbrido, que, para ele, é “superamigo dos escritórios flexíveis e dos coworks”. Ele lembrou das crises de 2014, 2015 e 2016, que influenciaram diretamente na necessidade de brasileiros empreenderem, fazendo com que o networking diminuísse gastos com aluguel de espaços, o que impulsionou o mercado no qual ele atua. A crise atual, que tem o ser humano e a saúde como centro, não foi diferente. “As empresas, da noite para o dia, tiveram que repensar o seu portfólio, porque precisaram entregar espaço, ou colocar profissionais em home office. Mas talvez o home office não funcionou para todo mundo, então, para esses, não fazia mais sentido ir para um escritório grande, vazio, antiquado. E essa parcela de mercado foi direto para o mercado de escritório flexível”, afirmou. Ele considerou que o primeiro momento da pandemia foi de reflexão para entender o que estava acontecendo, o que causou uma instabilidade na marca, mas a recuperação foi rápida e em V, criando ainda maior demanda do que no ano de 2019.

Entre os motivos pelos quais os espaços de cowork cresceram durante a pandemia, mesmo com a presença do home office forçado, estão a qualidade dos acessos à internet e a equipamentos que nem todos têm dentro de casa. “No fritar dos ovos, eu entrei no ano de 2020 com 32 mil clientes e saí de 2020 com 32 mil clientes, e com as mesmas 70 unidades, sendo que aproveitei a oportunidade para fazer crescimento estratégico em zonas residenciais, porque as pessoas hoje querem trabalhar mais perto de casa, então, muitas vezes, ela até precisa de um escritório, mas não quer se deslocar de novo uma, duas horas por dia”, refletiu o CEO. A inauguração de um escritório em Ipanema, no Rio de Janeiro, ainda durante a pandemia, foi uma das táticas operacionais consideradas como um case de sucesso, já que o espaço abriu com a melhor ocupação dos últimos dois anos.

Questionado sobre a confiança internacional no país diante de um período de crise, o CEO lembrou que a Regus já passou por quatro grandes períodos de turbulência econômica desde que se estabeleceu no Brasil e lembrou que essa é uma área fértil para o mercado dos escritórios compartilhados, já que a crise também gera demanda. “Continuam olhando para o Brasil com o mesmo otimismo que olham para o resto do mundo. O Brasil é um dos principais mercados quando a gente fala de escritórios no mundo”, afirmou. Ele lembrou que poucas empresas têm o privilégio de “pagar para ver” e manter escritórios tradicionais enquanto todos precisam ficar em casa como medida para evitar a propagação da Covid-19 e que algumas delas, no momento de voltar a crescer, contam com os escritórios flexíveis que são disponibilizados pela marca.

Vida pessoal

Tiago Alves teve um início de carreira considerado pouco usual para um executivo. Ele tem como primeira formação um curso técnico em tornearia mecânica. “Já trabalhei em provedor de internet quando era menino também, no consulado da Hungria, fui segurança noturno durante dois anos, trabalhando em 12 por 36. E foi ali onde comecei a me envolver com o mercado imobiliário. Vi que tinha uma oportunidade, da segurança fui para a parte de gestão patrimonial, de gestão patrimonial migrei para facilities, de facilities migrei para a parte de serviços, liderei empresas no Brasil, América Latina, Portugal, Espanha, Miami e voltei desde 2015 à frente da Regus”, recordou. Um dos prédios no qual foi segurança, na Avenida Faria Lima, em São Paulo, hoje tem uma unidade da Regus. “Quando eu volto para a Regus tem aquele momento saudosista de conhecer o prédio por trás, saber das nuances, saber onde ficam as câmeras, uma coisa que era interessante naquela época e que hoje, vinte e poucos anos depois, é um saudosismo”, recorda.

Para ele, um importante fator de mudança na sua carreira foi abraçar as oportunidades que a vida colocou na frente dele. Por isso, nunca deixar de estudar. Como conselho de CEO, Alves lembra da importância de não perder tempo, principalmente se houver um período ocioso disponível. “Nunca na história da humanidade houve tanto conteúdo disponível igual a gente tem agora. Milhões de empresas colocaram de microtreinamentos a grandes cursos disponíveis como uma forma de estar ajudando neste período”, afirmou. Para ele, a oportunidade de ter acesso a toda essa gama de conteúdo enquanto ele ainda era estudante teria o impulsionado ainda mais. Além disso, Tiago lembrou da importância de se estudar gestão por performance, o que ele acredita ser o “novo normal”. “Já que o trabalho vai ser híbrido, a gestão não pode ser antiquada”, pontuou.

Confira o programa Conselho de CEO desta terça-feira, 23, na íntegra: