‘Apareci em pesquisa de intenções de voto para 2022 e comecei a ser atacado’, dispara Abraham Weintraub

Ex-ministro da educação participou do ‘Direto ao Ponto’ desta segunda-feira, 3, e falou sobre possível candidatura, ensino educacional no Brasil e Banco Mundial

  • Por Jovem Pan
  • 03/05/2021 23h16 - Atualizado em 03/05/2021 23h16
Reprodução/ YoutubeAbraham Weintraub participou do Direto Ao Ponto desta segunda-feira, 3

No início do mês de abril uma pesquisa eleitoral para governador de São Paulo em 2022, encomendada pelo Valor Econômico, apontou o ex-ministro da Educação do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) e agora diretor executivo do Banco Mundial, Abraham Weintraub, com 1% das intenções de voto. Mesmo sem confirmar sua candidatura, Weintraub disse em entrevista ao programa ‘Direto ao Ponto’ que começou a receber ataques de grupos poderosos. “Eu abri o jornal um dia e estava escrito ‘Weintraub processado por improbidade administrativa’. Poxa eu fiquei assustado porque sou leigo nisso. Improbidade administrativa pra mim é corrupção. Eu cliquei em cima e era porque falei que tinha droga em universidade. Isso é revoltante”, comentou. “Eu não sou político, mas sou uma pessoa pública e começaram a lançar meu nome para cargos. De repente isso ameaçou o establishment e o mecanismo tem medo de mim. Apareci em uma pesquisa de opinião e começaram os ataques. Além da improbidade, apareci no Fantástico porque há um ano e meio atrás eu soltei um tuíte tirando sarro da proposta de uma deputada que queria que o Estado provesse absorvente para mulheres pobres. Eu acho que o mecanismo ficou apavorado”, completou.

Morando atualmente nos Estados Unidos, Weintraub admitiu que quer retornar ao Brasil em breve e, apesar dos rumores de que sairá candidato em 2022, ele não confirmou. “Para mim tudo é uma novidade. Eu nunca imaginei que seria político ou que seria conhecido no Brasil. Na minha família não tem nenhum político e eu acho que nunca seria um político porque eu sou muito franco. O que eu vi no Congresso não é o meu estilo. Eu me disponho a lutar para que o Brasil não vire uma Venezuela, mais importante do que o cargo que eu vá ocupar é estruturar um time/estratégia para evitar essa crescente de autoritarismo, monopólios junto com o marxismo cultural. Nós tivemos vitórias e agora teve um retrocesso”, afirmou. O ex-ministro também falou sobre seu alinhamento com Bolsonaro. “Meu papel hoje é tentar construir uma base conservadora para o presidente se livrar dessa dependência do Centrão e poder inflexionar o governo para a direção vencedora”.

Educação no Brasil e denúncia do Conselho de Ética do Banco Mundial

Weintraub retomou alguns pontos de quando era ministro da educação e falou sobre livros didáticos, uma pauta muito criticada enquanto estava no governo. “Um livro para cego em braile era R$ 700 a unidade e você ligava e eles diziam que podiam cortar pela metade o preço. Tinha muita coisa errada. Encontramos buracos e identificamos 40 bem graves e encaminhados para o MP. Na parte de doutrinação tinha casos leves até mais esdrúxulos. O problema do livro didático não era só a doutrinação, mas a técnica de alfabetização”, disse ele. Que completou em outro momento da entrevista que o ‘método Paulo Freire’ deve ser extinto do Brasil em breve. Sobre a educação em meio à pandemia, Weintraub disse que teria feito coisas diferentes na gestão. “Na época eu disse que era cedo para fechar as escolas e nesses meses a mais poderíamos ter um direcionamento melhor. Conseguimos distribuir o material didático a tempo, mas faltou orientação e as crianças ficaram alguns meses sem comida. A gente poderia ter feito de forma menos abrupta se não tivesse tanto pânico”, confessou.

Recentemente denunciado pela Comissão de Ética do Banco Mundial por falar mal da CoronaVac, defender o uso de cloroquina contra a Covid-19 e de estar usando o cargo para se autopromover politicamente, o ex-ministro disse não ter conhecimento sobre o caso. “Essa denúncia foi feita pelo sindicato daqui. O Banco Mundial recebeu a denúncia e era sigilosa e coincidentemente, vazou para nove jornais dizendo ‘fontes disseram que foi feito essa denúncia’. Eu não tive acesso à carta porque foi feita fora dos padrões do Banco Mundial. Se eu tivesse me lançado candidato era só me denunciar no Tribunal Eleitoral. Eu sou contra a CoronaVac? Não, eu votei a favor de todas as vacinas para liberar no BM. Tem muita coisa errada nessas críticas a meu respeito”, concluiu.

Confira abaixo a entrevista na íntegra do ex-ministro Abraham Weintraub: