‘Aquilo é tradicional no Rio Madeira’, diz líder dos garimpeiros sobre invasão de dragas

José Altino Machado participou do ‘Direto ao Ponto’ desta segunda-feira, dia 6, e falou sobre a ação da PF contra balsas de garimpeiros, terras indígenas e tradição do garimpo no país

  • Por Jovem Pan
  • 06/12/2021 22h58
ReproduçãoJosé Altino Machado apresentou a visão dos garimpeiros da Amazônia

José Altino Machado, líder dos garimpeiros da Amazônia, participou do programa ‘Direto ao Ponto’ desta segunda-feira, 6, e comentou sobre o episódio da última semana em que a Polícia Federal queimou 69 dragas que estavam no Rio Madeira para garimpo ilegal. De acordo com José Altino, o ato foi violento. “Não houve negociação. Houve uma agressão inteiramente estúpida, uma violência desnecessária. Esqueceram que ali não era só o objetivo de trabalho, eles [garimpeiros] moravam ali com suas famílias. Foi uma estupidez”, declarou. O líder dos garimpeiros também informou que essa é uma atividade tradicional no rio desde os anos 50. “Aquilo é tradicional no Rio Madeira, chega a ser mais tradicional do que Serra Pelada. Em 1986, a Marinha prendeu umas balsas porque estava atrapalhando o canal de navegação. A turma fez um acordo para liberar sempre o canal e nunca criar impedimento. Esse era o acordo que tínhamos, que estava valendo até a Marinha compactuar com o que aconteceu agora”, disse.

Questionado sobre o porquê houve essa ação se o garimpo na região é tradicional, José Altino citou interferência estrangeira. “A imprensa não tem curiosidade de perguntar ‘porque as coisas são assim’. O porquê lá está no requerimento da Brasil Potássio, que gere a maior reserva de potássio e os garimpeiros estavam em cima disso, como todo mundo sabe, é de uma empresa canadense. Então move todo o setor estrangeiro em cima daquilo. Quando tem agito pela Amazônia é porque tem alguma coisa por trás, todo mundo quer”, explicou. José Altino também foi indagado sobre a PL 191/20, que busca a regulamentação do garimpo nas terras indígenas. De acordo com ele, os povos originários fazem parte do garimpo na Amazônia.

“O governo faz que não vê e nós fingimos que eles não sabem. Estamos garimpando com os índios Mundukurus tem 70 anos. Nós temos as maiores reservas de diamantes do mundo, não podemos explorá-la comercialmente porque estamos garimpando com os índios cinta-larga tem 30 anos. Então, vocês acham que estaríamos dentro da área Yanomami se eles não quisessem? Os garimpeiros ocupam as mesmas áreas dos índios, só que bem longe. Se sairmos da Amazônia, os índios morrem antes de nós”, explicou. Durante a entrevista ele afirmou várias vezes que as demarcações de áreas indígenas cresceram em cima dos garimpos para que os povos pudessem se manter em parceria com os garimpeiros.

Assista abaixo a íntegra da entrevista com José Altino Machado: