465 anos de São Paulo: Imigrantes escrevem sua história na cidade

  • Por Jovem Pan
  • 23/01/2019 08h23 - Atualizado em 23/01/2019 10h24
Paulo Pinto/Fotos PúblicasSeria impossível falar de imigração em São Paulo sem citar o bairro da Liberdade, o maior reduto oriental fora daquela localidade, bem no centro de São Paulo

Todo mundo busca ter um lugar para chamar de seu. Essa é a verdadeira sensação de pertencimento. E para muitas pessoas, por motivos variados, esse lugar não está necessariamente em seu local de nascimento. Ás vezes é preciso rodar o mundo para fazer esse encontro.

E com a cidade de São Paulo não é diferente: se a capital paulista tem a cara de todo o Brasil, também traz as nuances de todo o planeta. Por aqui estão espalhados núcleos de estrangeiros dos cinco continentes.

Segundo dados da Polícia Federal de 2017 e disponibilizados no Observatório do Turismo da capital, a colônia portuguesa ainda é a maior, com mais de 70 mil residentes em São Paulo.

Uma delas é Rosa de Brito, comerciante que chegou ao Brasil no início dos anos 1970. Ela conta que passados esses anos todos, vê que São Paulo é uma cidade receptiva, onde estão as oportunidades.

Toda a família de Rosa está em Portugal e, há 21 anos, faz valer a fama de sua terra à frente de um restaurante com comidas típicas de além-mar, ao lado da filha. E se a família de sangue está longe, é no balcão do restaurante na Vila Mariana que Rosa fez dos clientes sua família brasileira, de coração.

E seria impossível falar de imigração em São Paulo sem citar o bairro da Liberdade, o maior reduto oriental fora daquela localidade, bem no centro de São Paulo.

Neste bairro está Isao Gushi, que chegou com a família direto de Okinawa, no Japão nos anos 1960. O “Samurai da Liberdade” conta que foi recebido de braços abertos no Brasil e em São Paulo, onde conseguiu desenvolver sua vida.

O gosto pela cidade é tão grande que criou uma receita, batizada “São Paulo Temaki”, inspirado no gosto de uma cliente e usando maionese, o que quebra um tabu na culinária tradicional japonesa.

Isao já representou o Brasil como sushiman em vários países e, agora, traz inovação com o uso de tecnologia na cozinha e também ao ensinar e empregar mulheres como sushiwomans.

Apreciador da variedade de sabores da capital paulista, Isao aponta esse fato como diferencial por aqui, bem como a história de persistência que marca São Paulo há séculos.

De fato, ninguém é apenas paulistano. A mistura de povos é nossa marca, sobretudo ao analisarmos os números: quase 300 mil estrangeiros se mudaram para o Brasil entre 2001 e 2017. E os tempos também fizeram mudar o perfil: antes eram portugueses, italianos, japoneses e árabes.

Hoje, encabeçam a lista os bolivianos, chineses e haitianos que, mesmo com histórias diferentes, entre viagens programadas e pedidos de refúgio, enxergam na cidade de São Paulo, a possibilidade de, por aqui, ter um lugar para viver em paz.

Confira o primeiro e o segundo capítulos da série especial sobre o aniversário de São Paulo.

*Informações do repórter Fernando Martins