Anvisa e AstraZeneca se reúnem, mas pedido de registro de vacina ainda não tem data

Ministério da Saúde ainda não decidiu quais imunizantes contra Covid-19 vai comprar

  • Por Jovem Pan
  • 25/11/2020 07h00 - Atualizado em 25/11/2020 07h01
EFE/EPA/RUNGROJ YONGRITFatores como custo e condições de transporte e distribuição vão definir a escolha

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária se reuniu, nesta terça-feira, 24, com a farmacêutica britânica AstraZeneca para discutir o andamento dos estudos clínicos da vacina desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford. A empresa aderiu ao procedimento de submissão contínua, quando os resultados dos testes são apresentados à medida que vão surgindo. Ainda não há previsão de o pedido de registro à agência brasileira. Na última semana, o Ministério da Saúde teve encontros com cinco laboratórios para tirar dúvidas sobre quais vacinas poderia comprar. Uma vez que os imunizantes mais avançados têm mostrado taxas de eficácia e segurança semelhantes, fatores como custo e condições de transporte e distribuição vão definir a escolha.

O infectologista Alexandre Naime lembra que as vacinas da Pfizer e da Moderna têm a desvantagem do armazenamento em super refrigeradores. “[A temperatura] -70ºC exige uma geladeira muito específica, mais caro. Não é todo lugar que tem. Enquanto que a de Oxford é de 2ºC a 8ºC. A Sputnik também, entre 2ºC a 8ºC. A da Moderna precisa de uma refrigeração -20ºC.” O valor da dose da Moderna deve ficar entre R$ 140 e R$ 200. A da Pfizer é estimada em R$ 110. Já a russa Sputnik V ficará abaixo dos R$ 100 e a de Oxford, em cerca de R$ 20. O preço da CoronaVac deve ser divulgado nos próximos dias.

O infectologista Alexandre Naime, pondera que os países não devem ter entraves para financiamento, mas a capacidade de produção para abastecer o mundo é uma preocupação. “A gente não sabe em quanto tempo vai demorar para conseguir fabricar tudo isso. Quanto mais estratégias derem certo e mais opções tivermos, melhor. Vamos precisar de uma produção muito grande. Tudo que a gente está discutindo de eficácia se refere a uma estratégia vacinal inicial dessas duas doses. Talvez eu tenha que fabricar mais doses para uma segunda onda de vacinação se a gente verificar que a imunidade se perde depois de determinado tempo.” A Fundação Oswaldo Cruz deve fabricar doses para 130 milhões de pessoas durante o ano de 2021 e o Instituto Butantan prevê 46 milhões de doses até janeiro. As instituições esperam que a Anvisa autorize a distribuição até janeiro do ano que vem.

*Com informações da repórter Nanny Cox