Ao formar novo governo, Sánchez demonstra que últimas eleições foram desnecessárias

  • Por Jovem Pan
  • 13/11/2019 09h34
EFEPrimeiro-ministro da Espanha fez acordo que havia recusado anteriormente e permitiu avanço da direita

Winston Churchill disse, certa vez, que a melhor dieta, para ele, era comer as próprias palavras frequentemente. Sem querer comparar a estatura política dos dois, é claro, mas essa frase cabe bem para o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez.

Depois de se recusar a formar um governo de coalizão com a extrema-esquerda, Sánchez foi rápido dessa vez. O líder da centro-esquerda não levou sequer 24 horas para assinar um acordo com o Podemos, de Pablo Iglesias.

Agora, o partido da esquerda radical finalmente chegará ao poder – como coadjuvante, é verdade, mas ainda assim com presença oficial. O primeiro-ministro vai ceder a vice e mais três ministérios para o Podemos num acordo firmado em cerca de uma hora.

A questão é que Sánchez estava encurralado e não tinha outra opção para tentar formar governo. Logo, ficou claro que, por presunção e soberba da centro-esquerda, a Espanha perdeu seis meses e flertou com uma crise política.

Além disso, o bloco de esquerda perdeu apoio na última eleição e ainda permitiu que a extrema-direita, representada pelo Vox, avançasse: o partido é, agora, a terceira força política na Espanha e promete incomodar bastante o próximo governo.

Entre os termos do acordo está a causa catalã. A coalizão promete aprofundar a busca por saídas dentro da constituição para o tema.

Em Bruxelas, os burocratas europeus respiram aliviados com o indício de que a questão política na Espanha, um dos países claramente pró-europeus do bloco, será resolvida. O que também não deixa de ser curioso já que, até não muito tempo atrás, a chegada de um partido mais radical ao poder causaria fortes reações do bloco. Mas os tempos são outros e a entidade sabe bem disso.

Ocorre que o PSOE ainda não tem a certeza de que irá conseguir formar um governo na Espanha. A coalizão com o Podemos foi um importante passo nesse sentido, mas os números necessários para governar ainda não estão fechados e as negociações continuam.

*Com informações do repórter Ulisses Neto