Apenas 16% das famílias chegam ao trabalho em menos de 1h com transporte público em SP, diz pesquisa

Análise feita pela Fapesp aponta que adensamento populacional em áreas estratégicas seria uma das soluções para aumentar acesso do público

  • Por Jovem Pan
  • 19/09/2021 12h47
Rovena Rosa/Agência BrasilMaior parte da população de São Paulo gasta mais de uma hora para ir ao trabalho

O caminho para o trabalho da maioria dos brasileiros é uma rotina pesada. Em uma cidade como São Paulo, os desafios são ainda maiores. A reportagem da Jovem Pan acompanhou a empregada doméstica Simone Riba se deslocando do local onde mora, na Zona Leste da capital, para seus dois empregos. Em alguns dias, ela vai para Santo André, no ABC Paulista; em outros, até a Luz, na região central da capital. O trajeto de mais de uma hora envolve três transportes diferentes: monotrilho, metrô e trem. Com isso, o cansaço é grande. “Eu já chego cansada no meu trabalho, trabalho o dia inteiro, até as 18h, 18h30. Depois, na volta, é a mesma coisa. Ando dez minutos a pé, pego trem, pego metrô e depois pego o monotrilho. Isso deixa a gente com o corpo completamente cansado, dolorido, e principalmente esgotada”, narrou.

Percorrer longas distâncias para ter acesso à oportunidade de emprego é a realidade de muitos paulistanos. É possível perceber isso pela lotação de diferentes linhas. Uma pesquisa do Centro de Estudos da Metrópole, ligada à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), traduz em estatísticas a desigualdade e mostra que chegar ao trabalho em até 60 minutos com transporte público é possível em apenas 16% das famílias. A análise aponta para a dificuldade na implementação de instrumentos previstos no Plano Diretor Estratégico. A consultora de mobilidade urbana Beatriz Moura dos Santos observa que uma das soluções para isto seria o adensamento populacional em áreas estratégicas.

“Ou descentralizar as oportunidades, levar os empregos onde as pessoas moram, ou então trazer as pessoas para onde existem esses empregos, que esse foi o foco do nosso estudo, a gente olhou para esses instrumentos do Plano Diretor que permitem o adensamento em regiões que têm maiores oportunidades; e a terceira possibilidade seria melhorar a rede de infraestrutura de transporte público”, analisou. A pesquisa revela que dos empreendimentos imobiliários lançados recentemente, mais de 70% tiveram um efeito de adensamento menor do que o esperado. A maior parte das construções foram adensamentos de alto padrão concentrados onde estão as oportunidades de emprego. O Plano Diretor aprovado em 2014, que define as regras de ocupação dos espaços públicos, está sendo revisto em 2021. A pesquisa tem como objetivo contribuir para as discussões do poder público.

*Com informações da repórter Carolina Abelin