Após anúncio de Dallagnol, Lira sinaliza retomada da PEC que altera Conselho do Ministério Público

Saída do ex-chefe da Lava Jato do MP gerou repercussão nos mundos político e jurídico, com críticas de ex-presidenciáveis e deputados

  • Por Jovem Pan
  • 05/11/2021 07h32 - Atualizado em 05/11/2021 11h02
RODOLFO BUHRER/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDOEx-coordenador da força tarefa da Operação Lava Jato Deltan Dallagnol

O ingresso provável de Deltan Dallagnol para a política pode fazer com que a PEC que altera a composição do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e aumenta a influência do Congresso sobre o órgão volte à pauta. Em tom de ironia, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), indicou que o tema deve retornar após o anúncio do ex-chefe da Lava Jato. “Não sei, ela não terminou o jogo ainda, mas hoje ela teve um jogador importante que entrou no jogo. Declarando que é candidato, pode ser que reacenda o debate”, comentou Lira. A derrota na primeira votação não diminuiu o ímpeto de parte do Congresso pela aprovação da PEC. Lira e líderes irão se reunir na próxima semana para definir nova tramitação. A expectativa é de que o texto original seja colocado em pauta, apesar da dúvida do Ministério Público.

Para a procuradora da República Thaméa Danelon, as diversas denúncias ao próprio conselho da categoria desmotivaram Dallagnol. “As dez medidas não foram aprovadas, agora a lei de improbidade administrativa foi desfigurada, foi enfraquecida. Então fica muito difícil exercer esse nosso trabalho de combater a corrupção com mecanismos fracos. Ele recebeu, não só ele, como eu e como outros colegas, muitas denúncias no Conselho Nacional do Ministério Público e isso atrapalha o nosso trabalho”, opinou Danelon.

O anúncio de Deltan gerou repercussão nos mundos político e jurídico. Fernando Haddad, ex-presidenciável pelo PT, ironizou, e disse que a Lava Jato, afinal, era um partido político. Guilherme Boulos (Psol), que também disputou a presidência em 2018, afirmou que as idas de Moro e Dallagnol para a política mostram que a Lava Jato tinha objetivos políticos. O deputado Felipe Barros (PSL) disse que o que restava de credibilidade da força-tarefa foi para o ralo.

*Com informações do repórter João Vitor Rocha