Após fala de Carlos Bolsonaro, Mourão e Doria saem em defesa da democracia

  • Por Jovem Pan
  • 11/09/2019 06h50
Caio César/CMRJ/Agência BrasilMaia e Alcolumbre também criticaram a fala do vereador

Mesmo sinalizando que não pretende polemizar com a família de Jair Bolsonaro (PSL), o presidente em exercício, Hamilton Mourão, rebateu, nesta terça-feira (10), comentários feitos pelo filho do chefe do Executivo, o vereador Carlos Bolsonaro (PSL). Nas redes sociais, Carlos afirmou que, “por vias democráticas” as transformações que o Brasil precisa não acontecerão “na velocidade que desejamos”.

Mourão tentou se esquivar da questão, afirmando que o vereador é quem deve explicar as afirmações, mas saiu em defesa da democracia brasileira. “É fundamental. São pilares da civilização ocidental. Vou repetir para você: pacto de gerações, democracia, capitalismo e sociedade civil forte. Sem isso, a civilização ocidental não existe”, disse.

Ainda segundo o presidente em exercício, sem a democracia, ele e Bolsonaro não teriam sido eleitos. Mourão ressaltou, ainda, a importância do Congresso Nacional. “Temos que negociar com a rapaziada do outro lado ali da praça, é assim que funciona. Com clareza, determinação e muita paciência.”

O governador do Estado de São Paulo, João Doria (PSDB), também rebateu as afirmações de Carlos, enfatizando que não há caminho possível fora da democracia. “Sem entrar na polêmica, eu penso o oposto. Só com a democracia é que nós podemos ter um país soberano, livre e capaz de produzir políticas sociais e políticas econômicas. É só com democracia, não há nenhum outro caminho possível para o país”, disse.

No mesmo dia, os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Davi Alcolumbre (DEM-AP), também saíram em defesa da democracia e repudiaram a fala do vereador.

Diante da repercussão negativa entre os políticos e também nas redes sociais, o vereador fez piada ao tentar se explicar. Ele quis se justificar afirmando que, o que ele quis dizer, é que as coisas não mudam rapidamente. Depois, com xingamentos, acusou a imprensa de ter “desvirtuado” as declarações chamando-o de ditador.

Ainda de acordo com Carlos, as afirmações teriam sido uma resposta para quem cobra mudanças urgentes e rápidas no país. Dentro do Palácio do Planalto, a avaliação é que essas declarações acabam não ajudando, muito pelo contrário: acabam prejudicando a relação do governo com o Congresso Nacional.

*Com informações da repórter Luciana Verdolin