Maia e Alcolumbre repudiam fala de Carlos Bolsonaro; Eduardo o defende

  • Por Jovem Pan
  • 11/09/2019 06h21
Reprodução/Redes sociaisPara Eduardo, fala do irmão não foi "nada demais"

A repercussão ao polêmico tweet do vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro (PSL), chegou em peso também ao Congresso Nacional. A maioria das reações foram de críticas ao filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL), que afirmou, nas redes sociais, que por “vias democráticas” o país não vai se transformar “na velocidade que almejamos”.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que a declaração não cabe em um país democrático. Para ele, frases como essa acabam afetando indiretamente pessoas mais pobres, pois contribuem para atrasar a recuperação econômica do Brasil e diminuir as previsões de crescimento no ano, gerando insegurança em empresários que desejam investir no país.

“A democracia é um sistema que dá estabilidade aos países, confiança, tranquilidade para investimento à longo prazo, que são coisas que a gente precisa para gerar emprego. Todas as frases que vão contra a democracia liberal geram danos na confiança do nosso país”, afirmou.

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (DEM-AP), também teceu críticas ao comentário de Carlos, mas disse acreditar que declarações como essas não afetam as instituições, que para ele estão fortalecidas. “A democracia está fortalecida, as instituições todas estão pujantes. Trabalhamos a favor do Brasil, então uma manifestação ou outra em relação à esse enfraquecimento tem, da minha parte, o meu desprezo.”

Já o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), saiu em defesa do irmão. Ele comparou a declaração à famosa frase do ex-premiê britânico Winston Churchill, que classificava a democracia como “a pior forma de governo, exceto todas as outras.”

Eduardo também criticou políticos de esquerda por não fazerem as mesmas críticas ao regime venezuelano comandado por Nicolás Maduro. Na visão do deputado, Carlos  foi mal interpretado. “Carlos Bolsonaro não falou nada demais. As coisas em uma democracia demoram, porque exigem debate, ele falou só isso. Não temos condições de mudar o Brasil na velocidade em que gostaríamos. Mas o tempo não é o tempo da sociedade”, explicou.

A declaração foi um dos mais debatidos do dia pelo plenário da Câmara. Os projetos em pauta, como a nova Lei de Licitações e a cota de importação do etanol, não impediram a troca de farpas entre oposição e governistas.

*Com informações do repórter Levy Guimarães