Bolsonaro minimiza saídas na Economia e fala em mercado ‘nervosinho’ com gastos

O presidente falou que secretários queriam fazer valer a vontade deles; ele também comemorou a elevação do teto de gastos, com aprovação da PEC dos Precatórios

  • Por Jovem Pan
  • 22/10/2021 08h37 - Atualizado em 22/10/2021 11h16
Foto: Isac Nóbrega/PRComentário de Bolsonaro minimizando a debandada de secretários técnicos do Ministério da Economia foi feito em sua tradicional live de quintas-feiras

O ministro da Economia, Paulo Guedes, perdeu na última quinta-feira, 21, mais quatro importantes auxiliares: o secretário especial do Tesouro, Bruno Funchal, do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt, o adjuntos do Tesouro Nacional, Rafael Araujo, e a secretária adjunta do Tesouro e Orçamento, Gildenora Dantas. Oficialmente, todos alegaram motivos pessoais para deixar os cargos, mas eles continuam trabalhando até o que o ministro indique os substitutos. Dentro da área econômica, o clima foi de apreensão durante todo o dia. Guedes tem reafirmado com certa frequência que a área técnica precisa sempre trabalhar levando em consideração as determinações da área política, que é quem tem voto. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) minimizou as críticas e comemorou a aprovação do texto base da PEC dos precatórios, mas admitiu que nós ainda vamos ter muitos problemas pela frente. “Estou buscando solução. O auxílio de R$ 400 para caminhoneiros, que vai estar abaixo de R$ 4 bilhões por ano, dentro do orçamento. Aí fica o mercado nervosinho. Se vocês explodirem a economia do Brasil, o pessoal do mercado, vocês vão ser prejudicados também”, afirmou o presidente.

Bolsonaro falou ainda que existe uma resistência grande dentro da própria equipe econômica. “Tem secretário que quer fazer valer a sua vontade. Então, o ministro deu uma decisão, vamos gastar dentro do teto, então as reformas continuam, a gente espera que a reforma administrativa continue, a tributária continue, como foi feita com a da previdência no passado”, comentou. O Ministério de Minas e Energia também teve uma baixa, o secretário de Petróleo, José Mauro Ferreira Coelho, que, depois de 14 anos no serviço público, também anunciou que deixa o governo.

O líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR), afirmou pelas redes sociais que a equipe econômica que vem conduzindo a crise provocada pela pandemia da Covid-19 terá substituições por técnicos igualmente qualificados, que continuarão prestando bons serviços. E foi além: garantiu que Guedes está firme e forte, como sempre, na condução da economia. Para a oposição no Congresso Nacional, a notícia repercutiu mal. Segundo o PSDB, no entanto, não existe justiça social sem responsabilidade fiscal e a debandada de auxiliares de Guedes coroa a condução da economia. O partido afirma que o governo Bolsonaro cada vez mais se parece com a administração da ex-presidente Dilma Rousseff e ainda disse que o resultado da irresponsabilidade fiscal vai pesar mais no bolso dos mais pobres, na forma de mais inflação, mais desemprego e menos investimentos.

 

O senador Oriovisto Guimarães (Podemos-PA) afirmou que o Brasil, na verdade, está desabando porque o presidente da República, Jair Bolsonaro, mesmo dizendo que não entende de economia, determinou que as coisas sejam feitas e que Paulo Guedes acabou procurando um jeito de obedecer. “Esses profissionais de altíssimo nível estão abandonando o barco por uma simples e boa razão: não querem manchar seus currículos com uma política econômica absurdamente errada”, disse.

*Com informações da repórter Luciana Verdolin