‘Carlos Wizard deveria ser enaltecido na CPI, não torturado e humilhado’, diz Flávio Bolsonaro

Senador afirmou ainda que as eleições presidenciais de 2022 ficarão entre Jair Bolsonaro e Lula e que ‘está trabalhando’ para que o pai vá para o Patriota

  • Por Jovem Pan
  • 17/06/2021 09h54 - Atualizado em 17/06/2021 11h20
Pedro França/Agência SenadoPara o parlamentar, o colegiado não está "apurando nada" e, por isso, as discussões são uma "perda de tempo sem tamanho"

O senador Flávio Bolsonaro (Patriota) considera que a CPI da Covid-19 no Senado Federal é um “show de horrores”. Para o parlamentar, o reflexo nas ruas mostra que o colegiado não está “apurando nada” e, por isso, acredita que as discussões são uma “perda de tempo sem tamanho”. “Há blindagem de nomes que seriam importantes, como do Carlos Gabas, que ontem [quarta-feira], em uma manobra, não foi convocado. A pessoa que é ex-ministro, era presidente do Consórcio Nordeste, que fez aquisição de respiradores por R$ 48 milhões em uma empresa de fachada que não entregou os respiradores. A CPI acha que esse nome não é importante para ir à CPI, mas quer convocar Carlos Wizard“, disse, se referindo ao empresário convocado para prestar depoimento nesta quinta-feira, 17. “Carlos Wizard, se ele puder falar, que seja virtual. Imagina sair dos Estados Unidos para passar o dia sendo torturado em uma CPI por várias pessoas que não têm a menor moral e condição de interrogá-lo é, realmente, um grande desserviço. Ele tinha que estar sendo enaltecido pelos senadores por gerar empregos no Brasil, por ser um grande empreendedor e não ser colocado na condição humilhante e vexatória em uma CPI como essa.”

Ainda sobre o colegiado, Flávio Bolsonaro garantiu que vai acompanhar as oitivas quando julgar necessário. Ele criticou a postura do relator Renan Calheiros, afirmando que o colega é o “retrato da CPI”. “Uma pessoa com o currículo que ele tem, com a ficha que ele tem, se achar no direito de colocar o dedo na cara de pessoas que são trabalhadores. Tem que ter um freio nesse tipo de situação”, defendeu, garantindo que, sempre possível, estará no colegiado “esfregando a verdade na cara do senador Renan Calheiros”. Ainda a respeito da comissão, o filho do presidente Jair Bolsonaro afirmou que membros da CPI atacam o presidente para provocá-lo. “Enxergam como se eu fosse o presidente”, relatou durante a entrevista, pontuando que “está ali para fazer a defesa do governo” e que ocupa o cargo no Senado Federal por ter sido eleito, não por ser filho de Bolsonaro. “Fui eleito senador com 4,3 milhões de votos e ali sou igual a todo mundo.”

Sobre o andamento das conversas para a filiação do presidente da República ao Patriota, partido de Flávio Bolsonaro, o parlamentar garantiu que “está trabalhando” e as negociações continuam, citando uma reunião ocorrida nesta quarta-feira. De acordo com ele, os diálogos tratam de divergências “totalmente tranquilas” de serem resolvidas. “São coisas muito menores perto do grande projeto caso o presidente vá para lá”, garantiu. Segundo o senador, o presidente Bolsonaro, no entanto, não abre mão de ter segurança e autonomia no novo partido, destacando que o presidente quer, entre outras coisas, poder escolher quem serão os governadores,  os senadores e deputados candidatos pela legenda ou apoiados. “O presidente não abre mão de ter a palavra final”, completou. 

Flávio considera ainda que as eleições de 2022 serão o momento para o governo atual apresentar o que foi feito. Segundo ele, o próximo pleito será marcado pela escolha de lados. “Lado A e lado B, não tem para onde correr”, ressaltou, afirmando que já trabalha com a disputa entre Bolsonaro e Lula. “Não vejo nenhuma força de terceira via para ser meio termo. A eleição do jeito que está, o Brasil do jeito que está, virou Vasco e Flamengo. Não vejo essa força ou nome capaz de absorver tudo isso, de ser conhecido em todo o Brasil e que vai tentar provar que vai fazer mais que o Bolsonaro fez”, completou, afirmando que vê o cenário contra Lula de forma positiva, já que, na avaliação do parlamentar, o eleitor “não vai querer um ex-presidiário presidente do Brasil.”