Caso Master: Daniel Vorcaro é convocado para depor na CPMI do INSS

O senador Carlos Viana anunciou que a comissão também convocou Luiz Félix Cardamone Neto, ex-presidente do Banco BMG, para esclarecer suspeitas de fraude envolvendo crédito consignado oferecido a beneficiários

  • Por Jovem Pan
  • 29/01/2026 09h19 - Atualizado em 29/01/2026 09h36
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Divulgação/Banco Master Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master Daniel Vorcaro e outros acusados foram alvo da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal.

O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos), anunciou que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi convocado para depor na comissão na próxima semana.

Além de Vorcaro, também foi chamado o ex-presidente do Banco BMG, Luiz Félix Cardamone Neto, ambos investigados no caso de fraudes envolvendo descontos irregulares contra aposentados e pensionistas. Os depoimentos estão previstos para a próxima quinta-feira (05).

Viana também informou que a comissão tenta reverter o habeas corpus que impede o comparecimento do empresário Maurício Camisoti, investigado sobre as supostas fraudes no INSS.

A CPMI apura suspeitas de fraudes e outras irregularidades na oferta e na concessão de empréstimos consignados a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

“A CPMI seguirá adotando todas as medidas legais cabíveis para assegurar que ninguém se esconda atrás de decisões provisórias e que os fatos sejam plenamente esclarecidos diante do povo brasileiro”, escreveu o senador no X.

 

Além das convocações, Viana também defendeu a prorrogação dos trabalhos da CPMI que apura as fraudes e iniciou a coleta de assinaturas para estender o prazo de funcionamento do colegiado.

O encerramento da comissão está previsto para 28 de março. No entanto, o senador avalia que ainda é necessário aprofundar a apuração dos fatos investigados.

“Não é aceitável encerrar esse trabalho sem que todas as responsabilidades sejam devidamente apuradas. Tenho convicção de que o pedido de prorrogação será analisado com seriedade e acolhido, em respeito ao interesse público e ao dever constitucional do Congresso Nacional de fiscalizar e dar respostas ao povo brasileiro”, disse o senador.

CPMI do INSS

Instalada em 20 de agosto, a CPMI do INSS realizou 29 reuniões até 4 de dezembro e deve retomar os trabalhos em 5 de fevereiro.

Neste ano o trabalho da comissão será concentrado em análises de fraudes em empréstimos consignados, com suspeitas de assédio, concessão sem consentimento e renovações fraudulentas que geraram dívidas impagáveis.

Em 2025 a CPMI ouviu 26 testemunhas, incluindo Antônio Carlos Camilo Antunes, que ficou conhecido como o “Careca do INSS”. O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), qualificou Antunes como “autor do maior roubo a aposentados e pensionistas da história do Brasil”.

Segundo os dados apurados pela CPMI, ele seria o operador do esquema e teria movimentado R$ 24,5 milhões em cinco meses.

Vários depoentes optaram por permanecer em silêncio amparados por habeas corpus. Além disso, senadores afirmaram que alguns depoentes mentiram durante as oitivas.

Por esse motivo, a CPMI deu voz de prisão a Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), e Jucimar Fonseca da Silva, ex-coordenador-geral de pagamentos e benefícios do INSS.

Até janeiro de 2026, a CPMI soma 4,8 mil documentos analisados, 73 requerimentos de informação e 48 quebras de sigilo, e apontou 108 empresas suspeitas e mais de R$ 1,2 bilhão em movimentações financeiras incompatíveis.

Caso Master

As liquidações do Banco Master, decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, e da gestora de investimentos Reag, na quinta-feira (15), revelaram um dos episódios mais graves do sistema financeiro brasileiro.

O caso envolve suspeitas de fraudes bilionárias, uso de fundos de investimento para ocultar prejuízos, tentativas de socorro via banco público e tensões entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal de Contas da União (TCU) com o BC e a Polícia Federal (PF).

“A decretação do regime especial nas instituições foi motivada pela grave crise de liquidez do conglomerado Master e pelo comprometimento significativo da sua situação econômico-financeira, bem como por graves violações às normas que regem a atividade das instituições integrantes do SFN”, informou o BC em nota na época.

De forma extrajudicial, foram liquidados o Banco Master S/A, do Banco Master de Investimento S/A, do Banco Letsbank S/A, e da Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.

O processo de liquidação do Banco Master foi acompanhada da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF para combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Como resultado, no dia 17 de novembro, o dono do Master, Daniel Vorcaro, foi preso. Depois, ele foi solto com uso de tornozeleira eletrônica.

 

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