Com alta abstenção, resultado da eleição no Chile vai representar minoria, avalia especialista

Eleitores vão às urnas neste domingo, 19, para decidir entre o candidato de esquerda Gabriel Boric e José Antonio Kast, da extrema direita

  • Por Jovem Pan
  • 18/12/2021 10h34 - Atualizado em 18/12/2021 19h29
EFE/Alberto Valdés e Biblioteca del Congreso Nacional de Chile montagem com candidato Gabriel Boric ao lado do candidato José Antonio Kast Gabriel Boric (à esquerda) e José Antonio Kast (à direita) disputam segundo turno das eleições no Chile

O Chile realiza neste domingo, 19, o segundo turno das eleições presidenciais. O candidato de esquerda Gabriel Boric disputa com José Antonio Kast, da extrema direita. No entanto, em meio à polarização do país, a avaliação é que os resultados do pleito não devem expressar a escolha popular, avalia o coordenador Geral do Grupo de Análise da Conjuntura Internacional (GACInt) da Universidade de São Paulo, Alberto Pfeifer. “A abstenção foi muito alta e o voto é facultativo. O eleitor indeciso pode ser um eleitor que decidiu não votar. Então o resultado da eleição não expressa a maioria da população chilena”, explica. “É importante identificar o eleitorado neutro, que está fora do processo eleitoral. A gente pode ter  um resultado da apatia mais do que da urna”, acrescenta.

No primeiro turno, Gabriel Boric recebeu 25,82% dos votos, enquanto José Antonio Kast ficou em primeiro lugar, com 27,91%. As abstenções representaram cerca de 47%, o que também demonstra uma queda ao atual governo. “O fato da direita não ter conseguido mais de 30% do primeiro turno é reflexo de um certo desalento devido à pandemia e retração econômica do governo de Sebastian Piñera. Ele não conseguiu avançar com reformas e uma agenda econômica que levasse o Chile a um processo de crescimento”, afirma, citando o que chamou de “drama da falência do Centro”. “É um desencanto com o Centro e um afastamento do processo eleitoral. O resultado vai representar uma minoria chilena”, concluiu.