Com previsão de aumento expressivo, Procon monitora risco de altas abusivas de planos de saúde

Alta se deve pela união até três reajustes: o anual de 2020, suspenso pela pandemia, e o de 2021 — além da manutenção por faixa etária, em alguns casos

  • Por Jovem Pan
  • 05/01/2021 07h16 - Atualizado em 05/01/2021 07h17
nattanan23/PixabayA ANS esclarece que, para que não haja dúvidas entre os clientes e para que o pagamento seja feito de forma transparente

Economistas alertam para o aumento na mensalidade dos planos de saúde a partir deste mês. Os custos podem subir até 25% já em janeiro. O aumento se deve pela união de dois ou até três reajustes: o anual, que acontece regularmente; o por faixa-etária, dependendo do indivíduo; e o reajuste de 2020, que foi suspenso pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) devido à pandemia e agora deverá ser pago retroativamente.

Dessa forma, além da mensalidade já reajustada, os boletos deste ano trarão, também, a cobrança dos valores que deixaram de ser pagos no ano passado, parcelados em 12 vezes. O economista e professor do Ibmec, Gilberto Braga, explica que a medida não é abusiva — mas injusta. “Ela não é abusiva na medida que está seguindo uma regulamentação. Mas ela é injusta do ponto de vista econômico. Na verdade, o que você tem, são muitas pessoas que não utilizaram o plano que vão custear para quem teve uma utilização. A quantidade de pessoas  de saúde.”

Segundo o especialista, o ideal seria que o reajuste deste ano também fosse suspenso ou diluído pela ANS, já que os custos continuarão sendo altos enquanto a pandemia permanecer. Helder Lara, economista da UFMG, afirma que uma alternativa para não ultrapassar o orçamento da casa pode ser trocar o plano de saúde por um mais barato. “Procurar alternativas dentro do plano, mais baratas. Existem várias segmentações. Muitos aderiram à coparticipação. Você paga um valor menor, mas paga uma participação pelos serviços que usar.”

Mesmo assim, o chefe de gabinete do Procon de São Paulo, Guilherme Farid, ressalta a importância de avisar o órgão caso o consumidor identifique algo estranho. “É importante o consumidor, se notar uma alta no preço, registre uma reclamação no Procon. Estão sendo estudadas medidas judiciais para evitar um aumento abusivo.” A ANS esclarece que, para que não haja dúvidas entre os clientes e para que o pagamento seja feito de forma transparente, os boletos enviados vão conter as cobranças de forma “clara e detalhada”.

*Com informações da repórter Beatriz Manfredini