CPI da Covid-19 vota convocação de governadores e prefeitos nesta quarta-feira

Ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e o atual, Marcelo Queiroga, devem ser chamados novamente para oitiva com os senadores

  • Por Jovem Pan
  • 26/05/2021 07h49 - Atualizado em 26/05/2021 11h25
Jefferson Rudy/Agência SenadoDe acordo com o presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD), o cronograma está sendo cumprido

A CPI da Covid-19 no Senado Federal deve aprovar hoje requerimentos de convocação de pelo menos dez governadores e doze prefeitos. Gestores e ex-gestores dos estados do Amazonas, Amapá, Pará, Rio de Janeiro, Rondônia, Roraima, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Tocantins, além do Distrito Federal, devem ter que comparecer. As oitivas devem acontecer a partir do dia 17 de junho. De acordo com o presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD), o cronograma está sendo cumprido. “Não estamos fugindo da CPI, nós estamos fazendo aqui um requerimento que a CPI manda fazer. O requerimento do senador Randolfe, que fala de omissão do governo federal no Estado do Amazonas por falta do oxigênio. E tem um requerimento assinado por 45 senador do Eduardo Girão, que pede que a gente investigue recursos do governo federal destinados ao Estado. Isso será feito.”

Outro que deve ser convocado a depor é o ex-assessor da Presidência da República Arthur Weintraub. Vídeos o apontam como suspeito de ter articulado o suposto gabinete paralelo ao Ministério da Saúde que aconselhava o presidente Jair Bolsonaro. Já o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e o atual, Marcelo Queiroga, devem ser reconvocados. Omar Aziz indica que dessa vez, Pazuello pode não receber a mesma tolerância por parte dos senadores. “As mentiras estão aparecendo, não sou eu que estou dizendo. São contradições. Agora, se o ministro vier para cá sem nenhum habeas corpus que o protege, não tenha dúvidas de que não será da mesma forma. Não vamos ser desmoralizados.” No depoimento desta terça-feira, a Secretária de Gestão do Trabalho e Educação do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, voltou a defender tratamento precoce e falou em “livre arbítrio” dos médicos.

Conhecida nas redes sociais como “capitã cloroquina“, ela reiterou que a pasta orienta, mas não recomenda o uso do medicamento. Também afirma que governos têm autonomia e não são obrigados a seguir preceitos da OMS.  Questionada sobre o tratamento precoce, Mayra Pinheiro ressaltou que a relação médico-paciente dita as regras. Um dos pontos mais polêmicos do depoimento foi quando os parlamentares a questionaram sobre o aplicativo TrateCov. Na semana passada, Eduardo Pazuello explicou à CPI que a ferramenta não chegou a ser lançada porque sofreu ação de hackers. Mayra Pinheiro negou o ataque hacker e argumentou que um jornalista fez extrações indevidas do material. Um documento feito pelo senador Renan Calheiros aponta onze mentiras ou contradições que teriam sido ditas por Mayra Pinheiro. A lista, feita por assessores do relator, aponta incorreções em temas como tratamento precoce, medicamentos, cloroquina, aplicativo TrateCov, OMS, população pediátrica, isolamento social e crise em Manaus.

*Com informações do repórter Levy Guimarães