Custo de vida em São Paulo sobe 10% e tem maior alta desde 2015

Elevação para a população mais pobre chegou a 11,38% no ano passado, mostra pesquisa da Fecomercio

  • Por Jovem Pan
  • 25/01/2022 06h56 - Atualizado em 25/01/2022 06h56
Eduardo Matysiak/Futura Press/Estadão Conteúdo - 11/01/2022 Uma mulher e seu filho pré-adolescente circulam de máscara pelo corredor dos tubérculos em supermercado Segundo estudo, o ano passado terminou com variação de 10,02%; em 2015, o valor acumulado era de 11,56%

O peso da inflação no bolso. “Ganha pouco, recebe pouco. O aumento nos supermercados está absurdo. Aumentou a inflação, mas o nosso salário não aumentou. Não está fácil não”, desabafa o segurança Luís Américo. A queixa é a mesma de milhares de pessoas que moram ou trabalham na região metropolitana de São Paulo. Uma pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) sobre o custo de vida por classe social revela que as famílias com menor poder aquisitivo foram as amais afetadas. Na classe E, por exemplo, a alta no custo de vida foi de 11,38%, enquanto para a classe A fechou 2021 em 9,09%. O grupo de transporte apresentou uma das maiores altas no ano passado com 60,31%, puxado pelo etanol que subiu 63,7%, gasolina 42,8% e o óleo diesel 41,4%. Já o impacto da habitação no custo de vida ficou em 38,05%, com o botijão chegando a 23,2% de acréscimo e a energia elétrica com reajuste de 25,8%.

O engenheiro Daniel Lourenço viu a disparada na rotina. “Principalmente pessoal com renda mais baixa, a cesta básica como um todo. Para a classe média, algumas outras coisas como gasolina ou alguns luxos que acabam sendo mais caro”, aponta. O seguimento de alimentação teve subida de 7,26%. Apenas a carne aumentou 10,07%, a farinha de trigo 13,25%, enquanto leite e derivados 10,22%. Em meio ao panorama inflacionário, o consumidor tem que que se desdobrar. O jeito é pesquisar até encontrar o melhor preço. A advogada Ana Beatriz Monteiro tenta como pode driblar a crise. “Carne eu nunca mais vi lá em casa, tem que ser frango. A gente procura as alternativas, um leite que seja mais barato. Tem que pesquisador, não dá para ir no supermercado mais perto de casa, tem que ir mais longe”, comenta.

A projeção para 2022 é de uma elevação um pouco menor no custo de vida. O assessor econômico da Fecomercio Guilherme Dietze diz que a taxa de juros deve ajudar a conter o aumento. “A taxa de juros elevada reduz o ritmo da demanda, do consumo, o que por um lado é ruim, mas por outro ajuda a baixar os preços, a inflação na ponta para o consumidor. Portanto, longe de ser um alívio das famílias, mas a tendência é de um aumento de custo de vida mais ameno do que vimos em 2021”, pontuou. Segundo estudo, o ano passado terminou com variação de 10,02%. Em 2015, o valor acumulado era de 11,56%.

*Com informações do repórter Daniel Lian