Desmatamento na Amazônia ‘poderia ser pior ainda’, diz Mourão

Segundo o INPE, mais de 11 mil km² de floresta foram derrubados entre agosto de 2019 e julho de 2020, o que representa um aumento de 9,5% em relação ao período anterior

  • Por Jovem Pan
  • 02/12/2020 07h27 - Atualizado em 02/12/2020 11h25
Christian Braga / GreenpeaceDe acordo com o vice-presidente, há uma tendência de queda nos índices de desmatamento na Amazônia

O vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, diz que o desmatamento na Amazônia poderia ter sido pior. Segundo dados do INPE, mais de 11 mil quilômetros quadrados de floresta foram derrubados entre agosto de 2019 e julho de 2020, o que representa um aumento de 9,5% em relação ao período anterior. Mourão, que é presidente do Conselho da Amazônia Legal, afirma que a expectativa era de que o índice crescesse em torno de 20%. Ele reconhece, no entanto, que apesar de os dados serem ‘menos piores’ do que o esperado, ainda há muito a melhorar. “Na realidade, o que nós estamos fazendo está dentro do programa. Agora, tem coisas que eu não consegui resolver ainda, regularização fundiária eu não consegui avançar. É minha responsabilidade, tenho que dar um jeito nisso aí. Não tivemos sucesso, vamos dizer o seguinte: foi menos pior, poderia ser pior ainda.”

De acordo com o vice-presidente, há uma tendência de queda nos índices de desmatamento na Amazônia. A expectativa, por exemplo, é que no mês passado a área derrubada tenha sido 50% menor do que em novembro de 2019. O objetivo é alcançar um patamar onde só haja o que Mourão chamou de ‘desmatamento dentro da legislação’, que é aquele que equivalha a, no máximo, 20% da área de cada propriedade da região amazônica. Para isso, no entanto, é preciso resolver a questão do desmantelamento dos órgãos de fiscalização. “Isso aí é algo que está sendo discutido pelo Ministério, é responsabilidade do meio ambiente, tem que discutir com a economia. A economia está vivendo as dificuldades relativas a questão fiscal, então vamos ver como pode resolver. Uma solução paliativa é a contratação de gente temporária”, afirmou. Mourão também comentou, nesta terça, a primeira reunião entre o presidente Jair Bolsonaro e o presidente da Argentina, Alberto Fernandéz, realizada por videoconferência na segunda-feira. Para o vice-presidente, o encontro transpôs uma linha e contribuiu para o início de um diálogo que ele considera fundamental na luta para garantir a aprovação do acordo do Mercosul com a União Europeia.

*Com informações do repórter Antônio Maldonado