Em quarentena sem fim, Argentina caminha para recessão sem precedentes

PIB argentino deverá despencar 12,9%, segundo projeções da OCDE; Se confirmada a previsão, 2020 será pior para o país do que foi 2002, quando a atividade econômica recuou 10,9%

  • Por Jovem Pan
  • 04/12/2020 07h19 - Atualizado em 04/12/2020 08h45
EFESe confirmada a previsão, 2020 será pior para o país do foi 2002, quando a atividade econômica recuou 10,9%

A Argentina será o país do G20 que terminará o ano com a maior queda do PIB. O Produto Interno Bruto argentino deverá despencar 12,9%, segundo projeções da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Se confirmada a previsão, 2020 será pior para o país do foi 2002, quando a atividade econômica recuou 10,9%. Além disso, a recuperação não será tão rápida quanto em outros países incluídos na análise. Para 2021, a expectativa é que a Argentina cresça 3,7%. Para 2022, 4,6%. Mesmo assim, ficaria a quase cinco pontos percentuais do nível anterior à pandemia.

O professor de Relações Internacionais da FMU, Manoel Furriela, ressalta que a situação do país já é difícil há alguns anos. Mas, durante a crise sanitária, o governo de Alberto Fernandéz não implementou medidas para manter o poder aquisitivo da população. “E o governo atual ele não tem fôlego fiscal nem para conseguir fornecer à população, como o Brasil conseguiu, um auxílio emergencial para minimizar efeitos econômicos e dar sustento nesse período de crise pandêmica mais acentuada”, disse. Manoel Furriela lembra que o ex-presidente Maurício Macri não conseguiu implementar a agenda liberal na economia, o que permitiu a volta do kirchnerismo ao poder. “O governo anterior veio com propostas de reformas importantes, liberais. Por não terem sido realizadas por completo, também não trouxeram os resultados esperados fazendo Macri se reeleger.”

Segundo a OCDE, Brasil e México, as duas maiores economias latino-americanas, também terão perdas em 2020 — mas o baque será bem menor do que na Argentina. O PIB brasileiro deverá encolher 6% e o mexicano 9,2%. O relatório alerta que, mesmo após a pandemia, a situação na Argentina ainda será delicada. O documento afirma que “após a reabertura da economia, as ajudas públicas serão retiradas — o que provocará um aumento das “falências e perda de postos de trabalho”. Ainda de acordo com os analistas, “isto se somará ainda mais ao alto desemprego e fragilizará a demanda interna”.

*Com informações do repórter Vitor Brown