Empresários temem paralisação de atividades com bloqueios nas estradas

Manifestações podem levar à queda na oferta de combustíveis, medicamentos, alimentos e bens essenciais, além de impactar no funcionamento do comércio e das indústrias

  • Por Jovem Pan
  • 09/09/2021 07h08 - Atualizado em 09/09/2021 10h07
FOM CONRADI/ISHOOT/ESTADÃO CONTEÚDOEntidades de transportes de cargas e transportadores autônomos não poiam as manifestações e afirmam que atos não representam a categoria

A mobilização de caminhoneiros preocupa empresários de diversos setores, que temem parar a produção por falta de matérias primas. A Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos teme paralisação de linhas de produção em todo o país por falta de insumos parados nos bloqueios. A entidade monitora a situação e espera que o impasse seja resolvido rapidamente para o mercado, os atos atrapalharam o desempenho das ações, especialmente da Petrobras, que fecharam em queda de mais de 5%. No governo, um dos principais receios é a falta de alimentos e combustíveis, como ocorreu com a greve de 2018. Nesta quarta-feira, 8, em um áudio enviado a representantes da categoria, o próprio presidente Jair Bolsonaro fez um apelo pelo fim dos bloqueios nas estradas, pedido também reforçado pelo ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas.

“Esses bloqueios atrapalham a nossa economia e isso provoca desabastecimento e inflação, prejudica todo mundo, em especial os mais pobres”, pede Bolsonaro em parte do áudio. Para o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de São Paulo, Tayguara Helou, há sim que avançar em reivindicações, mas não é dessa forma que as pautas devem ser discutidas. “O custo do óleo diesel é alto, da carga tributária do setor, os insumos no setor custam muito caro, mas não é paralisando que vamos resolver isso. A economia não se movimenta e ela não se adequa a um setor por meio de uma paralisação, da violência. Em alguns pontos as pessoas estão incitando violência. As empresas transportadoras de cargas não vão parar, não aceitamos uma situação como essa.”

O diretor da Associação Brasileira de Revendedores de Combustíveis Independentes e Livres, Rodrigo Zingales faz um alerta sobre o que as paralisações podem representar para a economia. “Isso vai gerar simplesmente todo um efeito cascata. Se eles pararam vou ter menos combustível na rua, menos alimentos, menos medicamentos, menos bens essenciais. A população vai ficar refém, de novo, dessa escassez de bens de primeiríssima necessidade e as indústrias vão parar de produzir, o comércio vai parar de vendar e vamos ter perdas no PIB”, pontua.

Em nota, a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística disse que não apoia as manifestações, que os atos têm natureza política e não possuem relação com as reivindicações da categoria. A entidade disse estar preocupada com os impactos causados pelo abastecimento nos setores de produção e comércio. Os protestos também não têm apoio da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos. Segundo o órgão, o caminhoneiro autônomo é cidadão brasileiro e tem direito de se manifestar, mas que a participação representa vontade individual. A Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística no Estado de Santa Catarina, que representa mais de 18 mil empresas, também repudiou as manifestações.

*Com informações da repórter Carolina Abelin