Especial: entenda como o aumento do combustível impacta a vida dos brasileiros

Atual política da Petrobras de equiparação de preços ao mercado internacional, tributos cobrados e taxas de distribuição elevam os valores

  • Por Jovem Pan
  • 06/10/2021 09h06 - Atualizado em 06/10/2021 11h24
J. F. DIORIO/ESTADÃO CONTEÚDOAltas nos preços dos combustíveis interferem em praticamente todos os setores da economia brasileira

Para entender o problema dos aumentos dos combustíveis é importante saber como eles saem da Petrobras e chegam até os postos com o preço elevado. A estatal vende o combustível para distribuidoras, que, por sua vez, adiciona ao valor o custo obrigatório de porcentagem, cerca de 33,4%. O etanol, custa 16,9% na bomba. Os custos de distribuição e o lucro da revenda da distribuidora e do posto são de 10,7%. Em cima desse último valor, são cobrados 11,3% dos tributos federais como CID, PIS/PASEP e COFINS e também o tributo estadual, o ICMS, que pode variar entre estados, mas em média é de 27, 7%. Além das taxações, o valor final é alterado também, e principalmente, pela atual política de mercado da Petrobras, que equipara os preços internos aos utilizados internacionalmente, cotado em dólar. E o maior problema é que a crise do combustível interfere em praticamente todos os setores da economia brasileira, afetando em diversos pontos o consumidor.

Além desses fatores, existe existe ainda um outro problema que dificulta ainda mais a vida do consumidor, o mal empresário, que tenta enganar o cliente adulterando as bombas de combustíveis. A Jovem Pan flagrou um caso específico de um posto de gasolina na região da Luz, no centro de São Paulo, e acompanhou os procedimentos legais do Instituto de Pesos de Medidas (IPEM) do Governo do Estado de São Paulo. “Tem fraude, provavelmente, da qualidade e na quantidade de combustível. Há bombas que foram lacradas, que não poderiam estar abertas, e que foram rompidas e estão realizando a venda. Eles também retiram os aparelhos das bombas para dificultar a fiscalização. Mas não tem problema, a fiscalização continua. A polícia está aqui e o IPEN intimou o proprietário do posto e vamos punir os fornecedores de combustíveis que enganam o consumidor. A multa é de até R$ 1,5 milhão e o posto pode até ser fechado”, afirmou o secretário de Justiça e Cidadania, Fernando José da Costa.

*Com informações do repórter Maicon Mendes