Especialistas alertam que Pantanal pode sofrer pior seca dos últimos anos

Quase 700 focos de fogo ativo na região pantaneira na bacia do Rio Paraguai, mais importante bacia do bioma, foram registrados desde o início do ano

  • Por Jovem Pan
  • 18/07/2021 11h56
Mayke Toscano/SecomEspecialistas temem que seca cause novos focos de incêndio em terrenos alagados

A seca rigorosa na região do Pantanal é mais crítica do que ocorreu no ano passado e tende a piorar nos próximos meses. O alerta é de várias entidades ouvidas nesta quinta-feira pela Comissão Externa da Câmara sobre Queimadas nos Biomas Brasileiros. O coordenador de Ciências da Terra do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Gilvan de Oliveira, disse que desde o fim da década de 1990, tanto o período de estiagem quanto a época das chuvas têm ficado mais secos. “Vejam que desde 2010 até então nós temos um predomínio de chuvas abaixo da média, então algo realmente está ocorrendo no Pantanal para que essas chuvas tenham consistentemente ficado abaixo da média nesta última década e chamado atenção no ano de 2020, 2021, com chuvas bem abaixo da média, com déficit muito maior do que nesta última década”, afirmou.

A superintendente de operações e eventos críticos da Agência Nacional de Águas, Ana Fioreze, alertou para os danos aos rios da região. “A gente percebe os reflexos nas vazões. Quase todas as estações de monitoramento estão próximas aos mínimos históricos, há um potencial risco para captações, principalmente para abastecimento, quando elas estão localizadas nas margens, muito próximas às margens dos rios, e são captações fixas. Então não chega a faltar quantidade de água para essas captações, mas pode acontecer de haver necessidade de levar essas captações para dentro do rio”, explicou. Com a seca também vem o temor de queimadas mais intensas, como ocorreu em 2020. A coordenadora da Comissão Externa sobre Queimadas nos Biomas Brasileiros, deputada Professora Rosa Neide, cobrou ações efetivas por parte dos Ministérios da Defesa e do Meio Ambiente para controlar os focos de incêndio. “A gente está em julho, a gente não chegou nos meses que são mais propícios às queimadas, agosto, setembro, então é o momento que realmente o parlamento tem que se dirigir aos órgãos responsáveis, o Ministério do Meio Ambiente, o Ministério da Defesa, o Ibama, o ICMBio, para que apoiem os nossos estados para que não aconteça a tragédia do ano anterior”, afirmou.

Para o coordenador de pesquisa e desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, José Marengo, a pandemia e cortes no orçamento contribuíram para o aumento na frequência e na intensidade das queimadas no Pantanal. “Não podemos dizer que é mudança climática. É simplesmente uma amostra do que poderia passar no futuro, se o clima continuar aquecendo”, afirmou. Para reforçar o combate aos incêndios, o governo do Mato Grosso do Sul avalia pedir a inclusão do estado na operação de Garantia da Lei e da Ordem, que já beneficia o vizinho Mato Grosso, mas ainda está restrita à Amazônia Legal. Do início do ano até agora, o Inpe registrou quase 700 focos de fogo ativo na região pantaneira da bacia do rio Paraguai, o mais importante do bioma.

*Com informações da repórter Letícia Santini