Espera maior por UTIs aumenta pressão sobre médicos e tem impacto direto na saúde de pacientes

Na terça-feira, 2, o site do governo do Estado de SP marcava ocupação de 75,5% nos leitos da região metropolitana

  • Por Jovem Pan
  • 03/03/2021 06h57
EDUARDO VALENTE/ISHOOT/ESTADÃO CONTEÚDO - 01/03/2021 O Hospital Emílio Ribas, na capital paulista, por exemplo, opera sem vaga disponível

A cada dia um novo número recorde de internações revela o avanço da pandemia em São Paulo. Ela também muda de cara: segundo especialistas, a faixa etária abaixo de 40 anos vem crescendo. Outro dado ainda mais preocupante é que esses pacientes estão permanecendo mais tempo internados, justamente num momento em que a capacidade hospitalar dá sinais de alerta. O Hospital Emílio Ribas, na capital paulista, por exemplo, opera sem vaga disponível. Todos os leitos de UTI estão ocupados.

Segundo o chefe da UTI do hospital, o infectologista Jaques Sztajnbok, a espera impacta diretamente no tempo em que o paciente vai precisar da terapia intensiva. “Pacientes que tem sido admitidos mais graves têm ficada um tempo mais prolongado. Se esses pacientes são admitidos com quadros menos severos, eles acabam tendo uma permanência menor. O que acontece é que em uma situação que o número de vagas está limitado, se acaba havendo uma seleção para os pacientes mais graves. E isso decorre que eles ficarão mais tempo internados.”

Na segunda-feira, 1º, em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, o coordenador executivo do Centro de Contingência, João Gabbardo, afirmou que o centro está de olho no crescimento da pandemia. E que, se a taxa de ocupação de UTI ultrapassasse 75%, isso colocaria o Estado de volta à Fase 1 – Vermelha do Plano São Paulo. “A região da capital chegou a 70% de ocupação. É bastante preocupante, mas ainda não é próximo ao que acontece na região Sul de 95% a 100%. Mas os números dessa fim de semana apontam que, no transcorrer dessa semana, rapidamente vamos chegar em 75%. E, nesse patamar, o Plano São Paulo prevê que a região metropolitana tenha que ir para o Vermelho.”

Na terça-feira, 2, o site do governo do Estado marcava ocupação de 75,5% nas UTIs da região metropolitana. O Gustavo, de apenas 23 anos, pegou Covid-19. Ele ficou 25 dias na UTI e teve uma série de complicações. “Duas paradas cardíacas, varias infecções, mais de 90% do pulmão tomado. E jovem, né? Eu queria deixar meu apelo para os jovens e pessoas de qualquer outra faixa etária: fica em casa e se cuida.”

*Com informações da repórter Carolina Abelin