Falta de saneamento afeta saúde das mulheres brasileiras, afirma estudo inédito

Levantamento sugere que o acesso universal ao abastecimento de água e coleta de esgoto poderia tirar mais de 18 milhões delas da condição pobreza

  • Por Jovem Pan
  • 04/05/2022 12h27
Banco de Imagens/Estadão Conteúdo Cano com esgoto a céu aberto no meio de folhagens. Casas feitas de tijolos atrás. Falta de saneamento básico em bairro de Guarulhos Falta de saneamento básico no bairro Sítio São Francisco, em Guarulhos (SP)

Quando o assunto é saneamento básico, o Brasil tem muito o que evoluir. Abrir a torneira e ter água tratada e acesso a coleta de esgoto, por exemplo, não é a realidade para mais de 135 milhões de brasileiros. Uma pesquisa feita pelo Instituto Trata Brasil mostra como é o impacto especificamente para a população feminina. O levantamento cruzou dados da pesquisa nacional por amostra de domicílios do IBGE, da pesquisa nacional de saúde do IBGE e do DataSUS. Luana Preto, presidente executiva do Trata Brasil, alerta para a relação da falta de saneamento com a incidência de doenças ginecológicas. “O afastamento de mulheres devido a doenças de veiculação hídrica associados à falta de saneamento básico fez com que essas mulheres perdessem duas bilhões de horas produtivas de trabalho e também 760 milhões de horas de estudo por causa de afastamento devido a essas doenças. Então, é muito importante entender que a universalização dos serviços de água e esgoto reduziria em 63,4% a incidência de doenças ginecológicas”, diz.

O número de mulheres que moram em casas sem coleta de esgoto subiu de 26,9 milhões em 2016 para 41,4 milhões em 2019. Também aumentou o registro daquelas que não têm acesso à água tratada, passando de 15,2 milhões para 15,8 milhões de brasileiras. No mesmo período, o percentual de mulheres sem banheiro em casa cresceu 56%. O estudo aponta ainda que a falta de infraestrutura impacta na pobreza menstrual. As mulheres que não têm acesso à água tratada comprometem uma parcela maior de renda para compra de absorventes e coletores menstruais. O impacto é 36% superior do que aquelas que têm água encanada e coleta de esgoto. Para quem não tem banheiro em casa, o gasto é 64% maior. O estudo sugere que o acesso universal ao abastecimento de água e coleta de esgoto poderia tirar mais de 18 milhões de mulheres da condição pobreza.

Entre os brasileiros que vivem sem saneamento básico está a moradora de uma comunidade do Distrito Federal, a Poliana Feitosa, de 32 anos: “Nenhum ser humano vive sem água. Sem a luz, você vive, que você pega uma vela, pega qualquer coisa que ilumine. Agora, qual é o ser humano que vai viver sem água? E isso é o que a gente bate na tecla direto, pedindo para os governantes que entram, que saem, que olhem pela gente. É simplesmente o que a gente pede, é dignidade”, comenta.

*Com informações da repórter Carolina Abelin