Governador do ES faz apelo a Bolsonaro para aquisição da Coronavac: ‘Resgate o anúncio feito pelo ministro Pazuello’

Renato Casagrande pede que autoridades deixem de lado componentes eleitorais para “caminhar em harmonia”

  • Por Jovem Pan
  • 22/10/2020 07h57 - Atualizado em 22/10/2020 09h02
Hélio FIlho/SecomO governador não descarta adquirir de forma independente doses do possível composto para vacinação dos capixabas

A recente declaração do presidente da República, Jair Bolsonaro, cancelando a compra de possíveis doses da Coronavac, vacina contra a Covid-19 produzida pelo Instituto Butantan em parceira com a farmacêutica chinesa Sinovac, continua gerando repercussão – e respostas – entre autoridades. Nesta quarta-feira, 21, governadores se posicionaram contra a decisão presidencial e, sob críticas, pediram mais “responsabilidade” ao presidente, alegando que a decisão sobre a compra de qualquer vacina contra o coronavírus deve ser técnica, não política. “É preciso deixar de lado todos os outros assuntos [ideológicos e eleitorais] para que façamos um trabalho juntos, governo federal, estados e municípios. Então, o apelo a gente faz assim, com muito elegância, que o governo federal retome o anúncio feito pelo ministro Pazuello. Se o governo não tiver essa capacidade, que ele possa liberar a vacina que estiver pronta e aprovada pela Anvisa para que a gente possa comprar e disponibilizar para a população”, apela o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan.

Renato Casagrande reforça a necessidade que o presidente “resgate o anúncio feito pelo ministro Pazuello”, que se comprometeu a comprar 46 milhões de doses da Coronavac e inserir o composto no Plano Nacional de Imunização. Segundo o governador, a reunião entre o ministro e os governadores contou também com a participação de líderes do Congresso Nacional e representantes da Anvisa, Fiocruz e do Instituto Butantan e, “por ser uma reunião muito ampla” tinha conhecimento do prévio de Jair Bolsonaro, o que torna estranha a postura contrária do presidente ao anúncio. Para Casagrande, é preciso deixar de lado os componentes eleitorais para “caminhar em harmonia”. “Foi uma reunião que apontou uma posição republicana do governo federal e do ministro [Eduardo Pazuello]. No outro dia, por alguma razão, não sei se foi a rede social, o debate se fez com um componente eleitoral muito forte. Estão antecipando demais a eleição de 2022. Precisamos que tanto o governo federal quanto os governadores deixem de lado [os interesses eleitorais] para caminhar em harmonia. É preciso refletir com o presidente, estamos perdendo mais de 500 pessoas por dia, no Espírito Santo voltou a aumentar os casos, estamos passando por um momento da retomada do contágio, na Europa também está assim. Não está aumentando o número de mortes, mas os contágios podem pressionais o sistema de saúde. O momento exige ponderação e equilíbrio.”

Embora defenda que a coordenação para aquisição de possíveis vacinas contra a Covid-19 seja feita pelo governo federal, o governador não descarta adquirir de forma independente doses do possível composto para vacinação dos capixabas. “Se a Anvisa aprovar alguma vacina e o governo não tiver nenhuma política de distribuição, é lógico que nós teremos que buscar meios para adiantar a vacinação. Eu terei essa condição pelo menos as pessoas de grupo de risco. Mas o mais importante é salvarmos vidas e libertamos os brasileiros desse vírus. Então queremos que o governo federal coordene [as propostas de vacinação]. Mas se a Anvisa aprovar a vacina e os estados tiverem disponibilidade de aquisição, eu poderei adquiri parte das vacinas.” Renato Casagrande lembra ainda que a vacinação é fundamental para uma ampla retomada econômica. “Se não tivermos a vacina teremos que continuar com essas atividades meia bomba, nem todo mundo está liberado e isso é muito ruim para a economia mundial. Sem a vacina teremos que ir convivendo [com a pandemia], muitas pessoas perdendo a vida e isso vai impedir que a economia retome e possa gerar emprego no mundo e no Brasil também.”