Justiça do RS torna réus os seis envolvidos na morte de João Alberto

Todos vão responder por homicídio triplamente qualificado com dolo eventual, por motivo torpe, uso de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima

  • Por Jovem Pan
  • 19/12/2020 07h20
Reprodução/Redes sociaisA necropsia feita por legistas do Departamento Médico Legal concluiu que João Alberto morreu por asfixia

A Justiça do Rio Grande do Sul tornou réus os seis envolvidos na morte de João Alberto Silveira Freitas, homem negro de 40 anos, em uma unidade do Carrefour de Porto Alegre, em novembro. O crime, na véspera do Dia da Consciência Negra, causou revolta e protestos, e completa um mês neste sábado, 19. Todos vão responder por homicídio triplamente qualificado com dolo eventual, por motivo torpe, uso de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. O pedido de prisão de Rafael Rezende e Kleiton Silva Santos, funcionários do hipermercado, e de Paulo Francisco da Silva, então funcionário da empresa de segurança terceirizada Vector, foi negado. A juíza da Segunda Vara do Júri de Porto Alegre, Cristiane Busatto Zardo, considerou que os três tiveram participação de menor importância no homicídio.

Já Giovane Gaspar da Silva e Magno Braz Borges, os dois seguranças envolvidos diretamente no espancamento de João Alberto, continuam presos. A fiscal Adriana Alves Dutra, que acompanhou os seguranças enquanto eles agrediam João, recebeu prisão domiciliar. Segundo a polícia, foram ouvidas mais de 40 pessoas, até de dias anteriores ao assassinato. A necropsia feita por legistas do Departamento Médico Legal concluiu que João Alberto morreu por asfixia. De acordo com a polícia, não há provas de que o caso tenha sido motivado por injúria racial, apesar de entender que faz parte do contexto envolvendo motivo torpe, por existir um racismo estrutural na sociedade, com influência indireta na abordagem à vítima. “Se a vítima fosse outra? Poderia ou não ser outro desfecho? Se tivesse outra vestimenta? A abordagem seria a mesma?”, disse a delegada Roberta Bertoldo em coletiva de imprensa. “Nós fizemos uma análise conjuntural de todos os aspectos probatórios e doutrinários e concluímos, portanto, que o racismo estrutural que são aquelas concepções arraigadas na sociedade foram sim, fundamentais, no determinar da conduta dessas pessoas naquele caso”, explicou Roberta, que considera que a condição socioeconômica também foi decisiva.

* Com informações do repórter Fernando Martins