Após morte de João Alberto, Carrefour anuncia que serviços de segurança não serão mais terceirizados

Os dois seguranças que espancaram o soldador foram demitidos do Grupo Vector e tiveram prisão preventiva decretada pela Justiça; multinacional criou um comitê para assessorar em medidas de combate ao racismo estrutural

  • Por Jovem Pan
  • 04/12/2020 17h21
Paulo Pinto/FotosPublicasPessoas protestam pelo espancamento de homem negro em loja do Carrefour

Depois da morte de João Alberto Silveira Freitas, espancado por dois seguranças em uma loja do supermercado Carrefour, em Porto Alegre (RS)a empresa informou nesta sexta-feira, 4, que os serviços de segurança não serão mais terceirizados a partir de 14 de dezembro, e que os novos funcionários serão recrutados e treinados com o apoio de uma associação que reúne empreendedores negros da capital. Ao todos, 11 pessoas estão sendo investigadas, incluindo clientes, por suspeita de omissão frente à situação. Os dois seguranças que espancaram João Alberto, Magno Braz Borges e Giovane Gaspar da Silva, foram demitidos do Grupo Vector. Os dois tiveram prisão preventiva decretada pela Justiça. Eles foram autuados em flagrante por homicídio triplamente qualificado por motivo fútil, asfixia e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

O Carrefour criou um Comitê Externo e Independente para assessorar em medidas de combate ao racismo estrutural na multinacional francesa. Figuras públicas negras foram convidadas para trabalhar na estruturação das medidas, como o empresário Celso Athayde, fundador da Central Única das Favelas (Cufa), o filósofo Silvio de Almeida, a historiadora Anna Karla Ferreira dos Santos, e Maurício Pestana, diretor da revista Raça Brasil. Segundo a rede, o processo de internalização da segurança começará pelos quatro hipermercados no Rio Grande do Sul, em um projeto piloto, incluindo a loja Passo D’Areia, em Porto Alegre. “Todo o processo de internalização da segurança terá como foco a implementação de práticas antirracistas e de uma cultura de respeito aos direitos humanos, além de considerar a representatividade da população brasileira (50% de mulheres e 56% de negros) como um compromisso”, disse o Carrefour em nota. “O novo modelo é o ponto inicial para transformação do seu modelo de segurança e faz parte dos compromissos anunciados pela rede”, completou. A data de admissão dos novos colaboradores está prevista para o dia 14 de dezembro em todas as lojas Carrefour da região, seguindo as etapas de contratação.