Márcio França defende “socialismo moderno” que “não enxuga o Estado a ponto de ele não existir”

  • Por Jovem Pan
  • 17/07/2018 11h41 - Atualizado em 17/07/2018 11h54
Johnny Drum/Jovem PanGovernador de São Paulo e pré-candido do PSB, Márcio França concede entrevista ao Jornal da Manhã nesta terça (17)

Pré-candidato à reeleição, o governador de São Paulo Márcio França, do PSB, disse em entrevista à Jovem Pan nesta terça-feira (17) que apoia um “socialismo moderno”, que se diferencia do “velho socialismo” e citou como exemplos positivos os governos de Portugal e da Espanha.

França defende “não enxugar o Estado a ponto de ele não existir”. Ele diz que um governo socialista, no seu entendimento, é aquele que “não fechará ambulatórios médicos, hospitais, que não fechará escolas públicas, que acha que as pessoas ainda precisam de serviços públicos”.

O pré-candidato ao Bandeirantes critica a “sensação de que podemos diminuir tudo no Estado”. “Hoje no Brasil o Estado ainda faz muita coisa para muita gente”, ponderou França, destacando, no entanto, que considera que “o certo é que as pessoas tenham certa independência”.

O peessebista disse também que o combate à desigualdade “pode ser feito de outra maneira”, com um Estado menor e melhor distribuição de renda.

O governador garantiu ainda: “não sou contra a privatização. Acabei de aprovar uma, da Cesp (Companhia Energética de São Paulo)”.

Ibirapuera

Márcio França, no entanto, travou a privatização da gestão do Parque do Ibirapuera, projeto do ex-prefeito de São Paulo e agora seu concorrente na disputa pelo governo, João Doria (PSDB). França negou, contudo, que a medida tenha tido caráter de retaliação eleitoral e criticou a falta de diálogo entre Doria e o ex-governador Geraldo Alckmin, também tucano.

“Eles (Prefeitura da capital) estavam fazendo esse processo desse mesmo jeito superficial”, disse França. “O outro governador foi consultado (Alckmin). Cadê o documento?”, questionou. “Como vai fazer a autorização de área pública sem legislativo, sem consentimento?”, disse o governador, apontando que áreas do parque mais famoso da capital eram de responsabilidade do Estado. “São Paulo não admite essas coisas superficiais”, criticou.

Oposição na Alesp

França também minimizou a oposição que enfrenta de tucanos na Assembleia Legislativa (Alesp). O governador disse que “não tem nada a ver com isso” e afirmou que a briga é entre membros do PSDB. “O que está paralisando a assembleia é um projeto de governo do governador Geraldo Alckmin, que está sendo impedido de votar pelos tucanos”, apontou. O pré-candidato disse que enviou para a Alesp “pouquíssimos projetos” e não pediu o apoio dos deputados estaduais.

Promoção eleitoral

O governador paulista também voltou a defender sua política de exonerar de cargos de comissão, os “cargos de confiança”, pessoas que não apoiem sua candidatura. “Se a pessoa não confia em quem te nomeou, ela não confia em seu projeto político”, argumentou. “Ela tem que buscar um cargo de confiança do outro, e não de mim.

França criticou as representações de tucanos de suposto uso da máquina pública para autopromoção eleitoral. Ele disse que isso “só tem um nome e quatro letras: medo, medo, medinho”. “Há um grupo de tucanos que acham que o governo do Estado é deles, e não pode mexer. Tudo aquilo pertence ao povo da cidade de são paulo”, alfinetou.

Eixo e pedágio

Márcio França defendeu também, durante a entrevista, que o governo federal banque a diferença pelo fim da cobrança do eixo suspenso nos pedágios estaduais.

O governador criticou a falta de liderança para combater a greve dos caminhoneiros e elogiou a própria atuação na tentativa de solucionar a crise. “O diálogo permitiu uma saída para esse momento. A gente precisa voltar a dialogar e encontrar meios termos para o Brasil”, disse.

França afirma que conversou com o próprio Michel Temer e sugeriu, no momento da crise, que o presidente editasse uma medida provisória para extinguir a cobrança pelo eixo suspenso nos pedágios de todo o Brasil, uma das reivindicações dos caminhoneiros.

“As concessionárias que não têm nada a ver com isso fizeram um contrato prevendo a cobrança (do eixo)”, disse França. “Alguém tem que arcar com esse prejuízo”.

Para o governador paulista, o valor deve ser descontado dos cerca de R$ 1,34 bilhão que São Paulo repassa ao governo federal mensalmente.

França descarta uma revisão dos contratos com as administradoras dos pedágios. “A revisão dos contratos será feita nas novas concorrências. Você não pode rever um contrato em andamento”, ponderou o governador, defendendo a segurança jurídica.

Confira a sabatina completa de Márcio França ao Jornal da Manhã: