Mayra Pinheiro diz que documentos com orientações a Portugal foram divulgados ilegalmente

Documentos que mostram que a secretária da Saúde propôs ao governo português o uso de medicamentos sem eficácia comprovada no combate à Covid-19

  • Por Jovem Pan
  • 22/07/2021 06h45 - Atualizado em 22/07/2021 09h16
Jefferson Rudy/Agência Senado - 25/05/2021Servidora da Saúde criticou a atuação da comissão, alegando que houve vazamento dos dados de modo ilegal

A CPI da Covid-19 no Senado Federal obteve documentos que mostram que Mayra Pinheiro, secretária do Ministério da Saúde, propôs ao governo de Portugal usar medicamentos sem eficácia comprovada no combate à pandemia. Falando a Cristina Graeml, comentarista do programa Os Pingos no Is, da Jovem Pan, a servidora criticou a atuação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), alegando que houve vazamento dos dados de modo ilegal. “O que os senadores estão fazendo é divulgar os e-mails onde existe uma ação do STF, é uma medida cautelar na verdade, que nenhum dos documentos enviados para a CPI podem ter divulgação pública até que a comissão seja encerrada”, afirmou Mayra, que foi ouvida pelo colegiado em maio. O assunto voltou à tona, no entanto, com a divulgação de um vídeo pela imprensa. Nas imagens, a secretária pede ajuda para formular perguntas para enviar aos parlamentares governistas na comissão.

A médica teria feito uma espécie de treinamento por videoconferência com participação do pesquisador Regis Bruni Andriolo e o também secretário da pasta Helio Angotti Neto. “Se o senhor pudesse fazer umas três, quatro perguntinhas que o senhor ache que os deputados [senadores] podem me fazer, entendeu? A gente tem um grupo que nos apoia, que reconhece o nosso trabalho. Esse grupo precisa fazer perguntas, no direito que eles têm de interrogar o depoente, que nos ajudem no nosso discurso. Então que perguntas que posso dar aos senadores fazerem a mim? Eles jogam para eu fazer o gol”, disse. Na gravação, Mayra Pinheiro não cita nominalmente quais seriam os senadores que ajudariam na CPI.

*Com informações do repórter Fernando Martins