Mourão defende vídeo divulgado sobre Amazônia e fala em ‘contrapropaganda’

Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que o Brasil já teve, neste ano, mais de 115 mil focos de calor na região

  • Por Jovem Pan
  • 11/09/2020 06h54 - Atualizado em 11/09/2020 07h36
Romério Cunha/VPRO vídeo traz imagens do mico-leão-dourado, animal que não vive na região amazônica. Animado, Hamilton Mourão tentou justificar a gafe

Causou muita polêmica no país o vídeo compartilhado pelo vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, que questiona as informações sobre queimadas na região da Amazônia e afirma que o Brasil é o país que mais preserva suas florestas nativas. O vídeo não é do governo, ele foi feito por ruralistas do Pará, compartilhado por Mourão e pelo ministro do Meio ambiente, Ricardo Salles, e mostra imagens da região sendo narradas em inglês. Mourão fala de manipulação de sentimentos e defende a necessidade de mostrar o que o país está fazendo. No entanto, o vice-presidente se mostra cauteloso ao comentar a atual situação da Amazônia. Para ele é preciso mostrar à comunidade internacional que nem todas as críticas são verdadeiras. “Como aqueles grupos que consideram que não estamos fazendo um bom trabalho e fazem propaganda [contra o governo], nós também temos que fazer a contrapropaganda. Aquele vídeo não é voltado para nós brasileiros, é voltado para o público externo”, afirma.

O vídeo traz imagens do mico-leão-dourado, animal que não vive na região amazônica. Animado, Hamilton Mourão tentou justificar a gafe. “É aquilo é uma integração Amazônia e Mata Atlântica. O pessoal do Pará conseguiu fazer isso”, comenta. Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que o Brasil teve mais de 115 mil focos de calor na Amazônia desde o início deste ano. Mourão afirmou, no entanto, que apenas o dados referente a focos de calor não pode ser caracterizado como presença de queimadas. “Quando se fala em focos de calor não significa que cada foco é um incêndio. Vamos lembrar que a imagem de satélite detecta qualquer coisa que esteja acima de 47 graus. Então, se eu acender uma fogueira em uma clareira será detectado”, conclui. Desde o início do ano, os militares estão atuando de forma mais intensiva na Amazônia. O vice-presidente diz que o governo espero o início do período das chuvas na região para fazer uma avaliação final, mas que a ideia é manter parte desta estrutura da fiscalização até 2022.

*Com informações da repórter Luciana Verdolin