‘Não adianta ter leitos de UTI, porque não há médicos especializados para atender’, diz Zema

Segundo o governador de Minas Gerais, 200 pessoas aguardam vagas em unidades de terapia intensiva do Estado

  • Por Jovem Pan
  • 17/03/2021 09h22 - Atualizado em 17/03/2021 14h28
Pedro Gontijo/Governo de MG/Romeu Zema reconhece que a "onda roxa" em Minas Gerais trará impactos para os setores econômicos

O Estado de Minas Gerais já vive um colapso no sistema de saúde. A afirmação é do governador do Estado, Romeu Zema. Segundo ele, nesse momento da pandemia, com mais de 200 pacientes à espera de leitos de UTI, o principal desafio é encontrar trabalhadores especializados para o atendimento dos pacientes. “Não há sistema de saúde que comporte a quantidade de pessoas que tem demandado. O sistema de saúde praticamente dobrou de tamanho, mas não existem mais profissionais de saúde disponíveis para dar atendimento. Não adianta ter respirador, leitos de UTIs, porque não existem mais médicos especializados para atender aqueles que precisam”, afirmou, justificando que o aumento das restrições é a única medida possível. “Nossa prioridade é salvar vidas. Se continuássemos como estávamos caminhando teríamos cenas de horror, pessoas sem atendimento médico gritando na rua, implorando por atendimento e o Estado sem fazer nada. O que estamos fazendo é o menos pior”, disse em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, nesta quarta-feira, 17.

A partir desta quinta-feira, os 853 municípios mineiros entram na “onda roxa”, mais restritiva, contra a Covid-19. A determinação do governo estadual, válida por 15 dias, busca frear o avanço da pandemia. Embora considere as novas restrições essenciais para reduzir o aumento das hospitalizações, casos e óbitos pela doença, Romeu Zema reconhece que a medida trará impactos para os setores econômicos. “Sei que uma situação como essa gera impacto negativo na vida das pessoas que dependem de sair de casa para trazer sustento. Estou impactando negativamente a vida das pessoas, mas a prioridade é manter o sistema hospitalar em condições de atender aqueles que precisam. Caso contrário teremos efeitos colaterais maiores do que as medidas que adotamos nesta semana”, pontuou, defendendo que as determinações seguem indicações do Comitê Extraordinário Covid-19, que conta com a participação de membros do Ministério Público, Tribunal de Justiça, da Assembleia de Minas Gerais e dos tribunais regionais do Estado. “Por 15 dias todos os prefeitos estão subordinados a essa decisão da onda roxa, que restringe a mobilidade, que faz com que as pessoas só possam sair para atividades essenciais. Chegamos no limite, não há como conduzirmos essa questão do atendimento na saúde suportável caso não tenhamos esse tipo de medida.”

Nesta terça-feira, o governador de Minas Gerais afirmou que pessoas que se aglomeram durante a pandemia, sem necessidade, poderiam ser tachadas de “assassinas”. Ao Jornal da Manhã, ele reconheceu que talvez o termo não seja o mais adequado, mas garantiu que, “no calor do momento”, quis demonstrar a indignação com a situação. “Quando você vê pessoas aguardando leito de UTI para poder sobreviver e recebe relatos simultâneos da Polícia Militar de que está havendo festas, aglomerações, sem nenhuma justificativa para tal, isso causa indignação muito grande. Naquele momento, usei um termo que não sei se é o mais adequado, mas que tenho certeza que é a opinião de boa parte dos mineiros que têm algum amigo, alguma pessoa aguardando atendimento médico”, disse, afirmando que a população precisa ter consciência de que “pequenas mudanças na forma de agir podem salvar vidas”. “Cada pessoa que deixa de fazer um pouco de esforço no isolamento é uma pessoa que está colocando a vida dos outros em risco. É o momento que as pessoas precisam compreender a importância das suas atividades, inclusive das pequenas.”