‘Não faço apoio ao governo nem oposição apenas quando é conveniente’, diz Arthur Lira

Candidato apoiado por Bolsonaro ao comando da Câmara acredita que compromisso do presidente da Casa é com o país e que ela deve ser independente ao governo

  • Por Jovem Pan
  • 04/01/2021 09h19 - Atualizado em 04/01/2021 09h22
Maryanna Oliveira/Câmara dos DeputadosArthur Lira afirmou que, no seu ponto de vista, o bloco que apoia Baleia Rossi é o da "paralisação do país"

O candidato à Presidência da Câmara, deputado Arthur Lira (PP), que também é líder do partido na Casa, não se declara como um candidato governista. “A minha candidatura é fruto do apoio do partido e do apoio de partidos que pensam parecido. Partidos de centro que sempre trabalharam para dar previsibilidade nas pautas necessárias. Não faço nem apoio ao governo e também não faço oposição de ocasião, quando é conveniente. Já deixei claro”, disse. “O presidente da Câmara tem que ser presidente de todos, o nosso compromisso é com o país. A nossa história no parlamento fala por si só. Candidato de Maia, candidato do Bolsonaro: o importante é construir perfis. O perfil do Arthur Lira, do Baleia Rossi, do Fábio Ramalho. O importante é ter uma Câmara independente, harmônica e sensível.”

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, Lira afirmou acreditar que o principal desafio de 2021 é descentralizar o poder na Câmara dos Deputados e teceu críticas à atual gestão de Rodrigo Maia. “Quem votar na outra chapa vai votar na continuação da centralização do poder. E eu não defendo isso. A pauta é prerrogativa do presidente, mas deve ser aceitada por maioria. O presidente deve servir como mediador, como conciliador. O que nós precisamos é que, todos os partidos, mesmo com as dificuldades ideológicas, encontrem saídas para o crescimento do nosso país. Não existe candidato de A ou B. São versões colocadas e que, internamente, não estão funcionando. Disputa da Câmara não pode virar disputa de governador, presidente de partido e de líder sem consultar bancada.”

Arthur Lira, que é líder do PP na Casa há seis anos, afirmou que, no seu ponto de vista, o bloco que apoia o também candidato Baleia Rossi é o da “paralisação do país” porque existem divergência muito explícitas. Uns defendem privatização e reformas, outros não. E como fica o presidente eleito? A única coisa é que, em uma disputa administrativa, não podemos trocar ideologia por cargos na mesa. Nossa proposta é de construir acordos, honrar a palavra e cumprir a harmonia interna do plenário”, explicou. Em relação às prioridades de pauta, se for eleito, Lira pretende seguir uma “ordem cronológica” a partir de uma rotina de previsibilidade. Para ele, o pacto federativo e as reformas administrativa e tributária devem ser discutidas ainda no primeiro semestre.

Sobre as denúncias de corrupção contra ele, Arthur Lira declarou ser fruto de uma “delação do inimigo” e que todos os processo que chegaram a julgamento foram arquivados por falta de indícios para prosseguir. Três delações já foram arquivadas. Por isso, ele não vê motivos para não pautar pautas como a da prisão em segunda instância e a do foro privilegiado se esse for o desejo dos parlamentares. “Não tenho nenhuma dificuldade em pautar qualquer matéria que esteja amadurecida na sociedade ou parlamento. Se tiver maturidade, consenso ou maioria absoluta. Só vamos procurar a maioria no Congresso. Se tiver, pautaremos”, concluiu. Lira também afirmou que é muito amplo no debate e não tem ideias fixas — o que facilita o diálogo.