‘Não havia condição de oferecer resistência’, diz governador de SC sobre assalto em Criciúma

Carlos Moisés reforça a posição de Clésio Salvaro sobre madrugada de terror e afirma que um crime desse porte não foi planejado dentro de Santa Catarina: ‘Ele é interestadual’

  • Por Jovem Pan
  • 02/12/2020 09h04 - Atualizado em 02/12/2020 12h02
Julio Cavaleiro/SECOMJulgamento do impeachment de Carlos Moisés ocorre nesta sexta-feira, 7

Após a ‘noite de terror’ em Criciúma, cidade do sul de Santa Catarina, o governador do estado Carlos Moisés defendeu a necessidade de uma atuação conjunta entre os estados para eficiência na segurança pública no Brasil. Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, nesta quarta-feira, 02, ele falou sobre a criação de um banco de dados de perfil genético unificado. “A gente entende que a segurança pública, como um todo, tem que começar a trabalhar em conjunto. Todos os estados com perfil genético. Nós já estamos fazendo isso [identificação genética], mas você tem 27 unidades da federação, 27 possibilidades de número de identidade, institutos de perícia distintos. Precisamos avançar com estados e cidades mais inteligentes para que possamos identificar o perfil desses criminosos e conseguir oferecer resistência.” Carlos Moisés afirmou que, considerando as especificidades do crime, o armamento pesado de uso restrito das Forças Armadas e o planejamento, não havia “qualquer condição de se oferecer resistência” ao episódio. A declaração reforça a posição apresentada pelo prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro, à Jovem Pan nesta terça-feira, em que ele afirma que nem mesmo o Exército Brasileiro teria condições e preparação para enfrentar os assaltantes.

Para ambos, a ação dificilmente seria coibida se tivesse ocorrido em outros estados, o que reforça uma característica pontual do caso. “É uma ação pontual, não combina com o nosso estado, que tem índice de criminalidade em queda. Com relação a esse perfil de crime, diminuímos 54% o número de ocorrências do ano passado para esse ano. Obviamente que em outros delitos também. A criminalidade violenta está em queda em Santa Catarina, entendemos que esse crime não é planejado dentro do estado, ele é interestadual”, afirma. A ação em Criciúma, ocorrida nesta terça-feira, envolveu ao menos 30 criminosos e uso de 10 veículos. Estimativas apontam que R$ 40 milhões foram levados pelos assaltantes.

Assim como defende um sistema único para identificação de grupos criminosos, Carlos Moisés também fala sobre a importância de uma atuação conjunta entre cidades, estados e o governo federal para outros assuntos de interesse da população brasileira, como o combate à Covid-19 e a vacinação em massa contra a doença. Ao ser questionado sobre a possível compra de imunizantes por Santa Catarina, o governador reforçou a ideia de que o planejamento deve ser alinhado junto ao governo central. “Temos que estar alinhados para que não se cometa nenhum movimento que não dê cobertura de imunização da população brasileira. Da mesma forma que digo que a segurança pública tem que estar alinhada, orquestrada, e que nos apresente condições de compartilhar uma identificação única, a imunização deve ocorrer com orquestração do governo central. Nenhum estado pode fazer um movimento que não seja eficiente. Obviamente que podemos avançar, mas precisamos estar alinhados com o governo. De nada adianta um estado promover a vacinação e o vizinho não. A vacinação nacional sempre foi centralizada, temos que entender isso, o governo central deve assumir esse papel”, opinou.

Carlos Moisés enfrenta o julgamento do segundo processo de impeachment. O governador é investigado supostos desvios na área da saúde na compra de respiradores. Segundo ele, no entanto, as ações são fundamentadas apenas no cunho político e não possuem “base jurídica fática relacionada a atos do governador”. “Não há nenhuma ligação do governador, isso foi comprovado pelo relatório da Polícia Federal, que atuou nesse caso opinando, relatando pelo arquivamento do processo”, disse. Segundo ele, a compra dos respiradores em Santa Catarina foi uma “proposta mal sucedida” feita durante a pandemia da Covid-19. Ao todo, dos R$ 33 milhões gastos, cerca de R$14 milhões já foram recuperados, garante o governador.