Perda de olfato por Covid-19 pode durar um ano, indica estudo

Acompanhamento clínico com 97 pacientes apontou que, após doze meses, 14 pessoas relatavam melhora parcial e duas estavam sem sinais de recuperação

  • Por Jovem Pan
  • 01/07/2021 09h49 - Atualizado em 01/07/2021 10h22
EFE/EPA/ANDRE KOSTERS/Archivo Mulher usa máscara de proteção contra a Covid-19 Pesquisa também acompanhou os efeitos da perda de olfato na qualidade de vida dos pacientes a ponto de gerar outras doenças

Estudo aponta que pessoas infectadas pelo coronavírus têm dificuldades para recuperar o olfato. O diagnóstico sobre a relação da perda de olfato dos pacientes e a Covid-19 foi feito durante um acompanhamento clínico de 12 meses. Os médicos investigaram 97 pacientes, sendo que todos tiveram perdas agudas do olfato durante sete dias. No período de 12 meses, duas pessoas não haviam recuperado a função olfativa e 14 pacientes relataram recuperação parcial. O artigo foi revisado por pesquisadores da Universidade de Estrasburgo, na França, e da Universidade Mcgill, em Montreal no Canadá e publicado no jornal da Associação Médica Americana. A médica Tânia Sih, especialista na área e autora de 35 livros, chama a atenção para um fator importante relacionado as variantes do coronavírus.

“As variantes do ano passado deram mais problema de perda de olfato do que a variante que está chegando agora. Nesse ano, quem pegou Covid-19 está com muito menos problema de olfato do que quem pegou no ano passado. Tenho conversado com colegas e eles também têm chegado a mesma conclusão. ‘É mesmo, no ano passado a gente pegou mais casos de perda de olfato e nesse ano quem pegou tem menos essa queixa’. Agora que está chegando para valer a variante Delta, que é a indiana, os meus colegas da Índia e eles também têm referido que a perda do olfato é um problema menor do que nas outras variantes também”, afirmou. E para melhorar o olfato, os pacientes passaram por um teste bem específico com os pesquisadores: cheirar frascos não identificados com alguns odores como limão, eucalipto e canela. E o resultado foi bem satisfatório.

A pesquisa também acompanhou os efeitos da perda de olfato na qualidade de vida dos pacientes a ponto de gerar outras doenças, com prejuízos até ao paladar. Ao todo, mais de 96% dos pacientes estudados clinicamente conseguiram reverter o quadro. Os números representam um ganho de 10% sobre os pacientes que já haviam se recuperado após seis meses da doença, cerca de 85,9%. Outro fator que chamou a atenção dos cientistas foi que o grupo analisado era formado principalmente por mulheres e pacientes mais jovens, com uma média de idade de 38 anos. Por isso, a recuperação da maioria foi satisfatória.

*Com informações do repórter Maicon Mendes