‘Pet terapia’ ajuda a amenizar efeitos do isolamento social para idosos

Técnica terapêutica conta com animais como apoio para tratamento, estimulando tanto aspectos físicos quanto emocionais

  • Por Jovem Pan
  • 15/05/2021 09h51
Akaporn Bhothisuwan /Wikimeadia CommonsBusca pelo afeto se tornou fundamental durante a pandemia da Covid-19

Jacinto Eliseu Jacobucci, mais conhecido como Seu Teco, tem 84 anos e há um mês veio passar uma temporada em um residencial para idosos. No local, vivem quatro cachorros. Entre eles está o Lord, um golden retrivier. Seu Teco conta que o animalzinho se tornou seu companheiro inseparável. “Esse aqui se apegou de tal forma que não me larga um instante. Aonde eu vou, ele vai. É um amor de cachorro.” Dona Francis Cahn, de 73 anos, também vive no residencial. Ela conta que trouxe a pequena Lupita, da raça chihuahua, para morar com ela. “Eles tem uma maneira de amar e de reagir diferentemente do que estamos acostumados com a sociedade. Os paradigmas caem fora e a vida fica mais colorida, vamos dizer assim.”

Em meio à pandemia da Covid-19, quando o distanciamento social é a principal arma para lutar contra o coronavírus, a busca pelo afeto se tornou fundamental. Uma alternativa tem sido a terapia assistida por animais, conhecida como “pet terapia”. Trata-se de uma técnica terapêutica que conta com animais como apoio para o tratamento de pessoa, estimulando tanto aspectos físicos quanto emocionais. A enfermeira Evelin Anunziatta disse que sentimentos de solidão e incapacidade são comuns nesta etapa da vida e que o método tem sido uma importante ferramenta de apoio aos idosos. “Fisicamente, porque eles ajudam nossos idosos a fazerem caminhadas, exercícios. Mentalmente e também na parte do coração, sentimental. Porque eles dão amor e recebem esse amor de volta.”

Além de cachorros e gatos, o trabalho também pode ser feito com animais silvestres e exóticos. Mine Toyoshi é tutora de dois furões — o Momo, de 3 anos, e a Sumi, de um ano e meio. Ambos treinados por uma ONG especializada em terapia assistida com animais, que atua com crianças, idosos e pacientes hospitalizados. Ela explica que existem alguns critérios para que o animalzinho se torne uma espécie de terapeuta. “São animais dóceis, né? Acostumados ao carinho, né. Ficam no colo, os idosos acariciam. E esse simples ato do animal estar no colo do assistido, do idoso, ele vai trazendo um relaxamento e bem estar. Há uma diminuição do nível do cortisona, o hormônio do stress, e melhor o humor, por exemplo.”

*Com informações da repórter Caterina Achutti