Prefeito de Rio Claro é alvo de operação por suspeita de fraude em compra de EPIs

João Teixeira Júnior, mais conhecido como Juninho da Padaria, é suspeito de ter contratado uma empresa de fachada para o fornecimento de R$ 4 milhões em insumos durante a pandemia

  • Por Jovem Pan
  • 03/12/2020 06h01
Reprodução / Facebook

O prefeito de Rio Claro, João Teixeira Júnior, mais conhecido como Juninho da Padaria, do DEM, foi suspenso do cargo, temporariamente. Ele é suspeito de ter contratado uma empresa de fachada para o fornecimento de R$ 4 milhões em EPIs, Equipamentos de Proteção Individual, durante a pandemia. Segundo o Ministério Público, também há suspeitas de superfaturamento nesta compra. A Justiça suspendeu, ainda, as funções do chefe de gabinete, Silvio Aparecido Martins, e do secretário de economia e finança, Gilmar Dietrich. Nesta quarta-feira, 02, os três foram alvos de uma operação que cumpriu mandados de busca e apreensão nas cidades paulistas de Rio Claro, Praia Grande e São Vicente. São investigados os crimes de associação criminosa, fraude à licitação, falsidade ideológica, peculato, além de corrupção ativa e passiva.

De acordo com o MP, a empresa contratada para fornecer os EPIs foi constituída em nome de um laranja, que foi preso temporariamente. O contrato já estava sendo investigado por vereadores do município. Em julho, foram abertas uma Comissão Processante, que investiga a compra dos EPIs, e uma Comissão Parlamentar de Inquérito, que apurou a qualidade dos materiais comprados. A presidente da CP, vereadora Carol Gomes, do Cidadania, relata quais foram as principais irregularidades encontradas. “A gente chegou à conclusão que uma microempresa não poderia fornecer tais equipamentos num valor tão alta sendo microempresa. Também chegamos à conclusão de que havia combinação de preços entre as outras empresas e que todas elas estavam irregulares na Justiça.”

O presidente da CPI, vereador Anderson Christofoletti, do MDB, conta que foram comprovadas as denúncias de má qualidade dos equipamentos de proteção individual. Entre as irregularidades, estavam os fatos de que a empresa contratada não tinha alvará de funcionamento, nem alvará sanitário. “Outra grave irregularidade, é que os produtos não detêm selo de identificação: Inmetro, data de fabricação, quem é o fabricante. Não tinha essas anotações, o que não permitia rastreabilidade”, explica. Durante as buscas contra o prefeito de Rio Claro, foram apreendidas duas armas de fogo e munições, além de valores em dinheiro. Ele chegou a ser preso em flagrante por porte ilegal de armas, mas pagou fiança de R$ 10 e foi solto. Com a suspensão de Juninho da Padaria do cargo, o vice-prefeito Marco Antonio Bellagamba deve assumir a cadeira. A defesa do prefeito afastado João Teixeira Júnior disse que não iria comentar o caso, pois ainda não teve acesso aos autos.

*Com informações da repórter Nicole Fusco