Prefeitura de Bristol remove estátua de manifestante erguida no lugar de Edward Colston

A homenagem a Colston ficou conhecida depois de ter sido derrubada um rio como forma de protesto

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan
  • 16/07/2020 08h22 - Atualizado em 16/07/2020 09h03
EFEJen Reid, no dia das manifestações, subiu no pedestal e posou para fotos com o punho erguido

A polêmica das estátuas na cidade de Bristol continua e teve mais um capítulo na manhã desta quinta-feira (16). A homenagem para a manifestante Jen Reid, que havia sido erguida no centro da cidade, foi removida pela prefeitura local. A estátua de Reid tinha sido colocada na madrugada anterior no mesmo pedestal que antes era ocupado pela controversa estátua de Edward Colston. A homenagem a Colston ficou conhecida no mundo inteiro depois de ter sido derrubada por manifestantes e lançada no rio da cidade.

O artista Marc Quinn, então, se inspirou na imagem de Jen Reid — que no dia das manifestações subiu no pedestal e posou para fotos com o punho erguido. A imagem da mulher negra se transformou em uma estátua de aço e resina que foi instalada no centro de Bristol às escondidas. O simbolismo do gesto também ganhou forte repercussão aqui na Inglaterra, mas a homenagem não ficou muito tempo em pé. A prefeitura da cidade alega que o tema é delicado e a obra que irá substituir a estátua de Edward Colston precisa passar por processos de discussão com a sociedade local — e isso não aconteceu. Dessa forma, a decisão de retirar a estátua da mulher negra foi tomada rapidamente. Ela foi levada para um museu local e está à disposição do artista.

Os britânicos mantém debate acalorado sobre homenagens à figuras ligadas ao tráfico de escravos que existem ao redor do país. A estátua de Colston, erguida em 1895, foi vandalizada dentro do contexto das manifestações do Vidas Negras Importam — mas a discussão sobre a remoção da homenagem já existia há décadas sem que uma solução definitiva fosse tomada. Outras homenagens continuam sendo contestadas, como a do colonialista Cecyl Rodes em um prédio histórico da Universidade de Oxford. O dilema entre defensores e opositores do movimento revisionista se estende na questão sobre o quanto de fato é possível reescrever a história sem apagar um passado que está diretamente ligado à escravidão.