Saída de tropas dos EUA do Afeganistão deve agravar conflitos na região

Nesta quarta-feira, 14, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, confirmou a intenção de retirar os militares americanos do país até 11 de setembro; especialista explica as consequências para disputas internas

  • Por Jovem Pan
  • 15/04/2021 09h47 - Atualizado em 15/04/2021 12h05
EFE/EPA/Chris Kleponis / POOLSegundo Biden, os Estados Unidos foram ao Afeganistão para derrotar Bin Laden e o terrorismo, não para unificar o país

Em pronunciamento na Casa Branca, o presidente Joe Biden, confirmou a intenção de retirar todos os militares americanos do Afeganistão até 11 de setembro. Após o anúncio, Biden esteve no cemitério Nacional de Arlington, na Virgínia, para homenagear os militares mortos em conflitos. Aos jornalistas, o democrata afirmou que a retirada não foi uma decisão difícil. Segundo ele, os Estados Unidos foram ao Afeganistão para derrotar Bin Laden e o terrorismo, não para unificar o país. Biden disse ainda que os Estados Unidos precisam se preocupar com outros desafios, a começar por uma “cada vez mais assertiva China”. O professor de relações internacionais da FMU, Manuel Furriela, ressalta que a decisão é certeira. “Apesar de risco, uma decisão acertada porque agora é o momento mais adequado. As tropas com outros cenários internacional envolvendo a china, com governo mais organizado, tropas treinadas e armados, então agora é o momento, momento que você consegue esse período de transição é plenamente factível.”

Na avaliação do professor de relações internacionais da ESPM, Gunther Rudzit, a saída dos militares do Afeganistão pode agravar conflitos internos na região. “O Afeganistão nunca teve um governo central forte, nunca teve. Piorou com a entrada do radicalismo islâmico que os talibãs trouxeram. Então o grande problema é estabilidade, mas a que custo. E o ocidente reluta em admitir que é uma estabilidade que pode ver com o talibã com a supressão dos direitos das mulheres, dos direitos humanos. É uma situação muito complicada, mas que muito certo que os conflitos são voltar”, disse. Atualmente, há cerca de 10 mil soldados no país, entre americanos e aliados.

*Com informações da repórter Letícia Santini