Ninguém que recebeu vacina de Oxford foi hospitalizado com Covid-19, diz coordenadora de estudo no Brasil

Professora Lily Yin Weckx afirmou que vacinação em massa no país tem capacidade de mudar cenário ‘catastrófico’ presenciado no Brasil por causa da pandemia

  • Por Jovem Pan
  • 30/12/2020 16h55
EFE/EPA/OXFORD UNIVERSITYImunizante desenvolvido pela Astrazeneca foi administrado em mais de 20 mil pessoas durante a fase de testes

A professora Lily Yin Weckx, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que administra junto à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) os estudos em voluntários da vacina de Oxford no Brasil, afirmou nesta quarta-feira, 30, em entrevista ao “Jornal Jovem Pan” que a vacinação tem potencial de mudar o cenário “catastrófico” instalado no Brasil independente da porcentagem de eficácia do imunizante a ser escolhido no país. “O importante não é só a porcentagem da eficácia. Se você tem uma vacina 90%, mas que não pode chegar a todos, é melhor ter uma vacina com 70% e que pode ser dada para toda a população. Acho que não é a vacina em si, mas todo o processo de vacinação, como isto vai ser feito no país, como isto vai dar acesso a toda a população”, pontuou. Ela garantiu que na fase de testes da vacina foi possível ver índices de proteção já após a aplicação da primeira dose.

“Nenhuma pessoa vacinada [com o imunizante da Oxford] teve doença Covid grave ou foi hospitalizada por Covid. Todos os casos de hospitalização que nós tivemos foi no grupo controle, que não recebeu a vacina”, afirmou. Por causa do grau de imunização a partir da primeira dose, o Reino Unido, que aprovou a utilização emergencial do imunizante ainda nesta quarta-feira, mudou de estratégia e pediu que o maior número de pessoas fosse vacinado com as primeiras doses disponíveis. A segunda, que a princípio seria aplicada em três semanas, poderá ser administrada nos pacientes em até três meses. Essa segunda dose reforçaria a proteção oferecida pela primeira. A vacinação no país europeu deve começar no dia 4 de janeiro. Ainda nesta quarta-feira, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirmou que se reuniu com a AstraZeneca, farmacêutica que desenvolve a vacina em parceria com a universidade britânica. Na reunião, mesmo sem apresentar prazos concretos, a marca afirmou que deu à Fiocruz a permissão para apresentar o pedido de uso emergencial do imunizante no país.