Damares diz que não aceitaria indicação para o STF: ‘Não me sinto à altura’

Pesquisa feita com os ouvintes da Jovem Pan indicou que, dentre diversas opções, Damares seria a escolhida para assumir o posto; até o fim do atual mandato presidencial, dois ministros se aposentarão por idade

  • Por Jovem Pan
  • 17/09/2020 20h44 - Atualizado em 18/09/2020 08h17
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência BrasilDamares também voltou a falar sobre a busca para suspender o filme "Lindinhas", da Netflix

A ministra da Mulher, Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, disse nesta quinta-feira, 17, em entrevista ao programa Os Pingos nos Is que “não aceitaria uma indicação ao STF (Supremo Tribunal Federal)” caso fosse convidada pelo presidente Jair Bolsonaro. Até o fim do atual mandato presidencial, em 2022, dois ministros se aposentarão por idade: Celso de Mello e Marco Aurélio Mello. Uma pesquisa feita com os ouvintes da Jovem Pan indicou que, dentre diversas opções, Damares seria a escolhida para assumir o posto, antes mesmo do juiz Marcelo Bretas e do atual ministro da Justiça, André Mendonça. “Não me sinto à altura de ser indicada para o STF, quero continuar aqui no chão de fábrica trabalhando com as crianças”, disse a ministra, brincando que o outro motivo para recusar o posto seria porque a toga é preta, e não cor de rosa. “Jamais vestiria uma toga que não fosse cor de rosa”, completou.

Suspensão do filme ‘Lindinhas’

Damares também voltou a falar sobre a busca para suspender o filme “Lindinhas” (Cuties, em inglês), lançado pela Netflix, que tem sido acusado de sexualizar jovens garotas. Premiado no Festival de Sundance e sem provocar polêmicas quando lançado na França, em agosto, Lindinhas tem sido alvo de críticas em países como o Brasil e os Estados Unidos. Segundo a ministra, há um movimento para tirar o filme do ar, e não deixar que ele fique disponível nem para crianças e nem para adultos. “Por mais que o pai fale que a classificação indicativa é para maiores, estamos com a discussão porque as crianças estão tendo acesso ao filme. Sou a favor que o filme seja suspenso e que a gente faça uma discussão ao redor dele”, disse.

Em comunicado, a Netflix esclareceu que o filme trata de um “comentário social contra a sexualização de crianças pequenas”. A escritora e diretora senegalesa Maïmouna Doucouré endossou que se trata de uma crítica a forma como as mulheres experimentam sua sexualidade, e como meninas imitam desde muito cedo os comportamentos adultos. “Não vou levar em conta as intenções da produtora, dos atores, dos autores, mas usaram o pior instrumento que podiam para levantar um debate sobre erotização de crianças. Não se pode convencer a ideia que para se combater erotização eu vou erotizar crianças. O instrumento escolhido por eles é terrível”, afirmou Damares. A ministra disse, no entanto, que a discussão trouxe algo positivo: levou a sociedade a se posicionar. “Há 15, 20 anos atrás, nós brasileiros protagonizamos cenas tão terríveis quanto essas, inclusive na TV aberta. Eu vejo esse debate como um sinal que a sociedade está se levantando e vendo isso como algo que não pode no País”, pontuou a ministra.