‘É uma saia justa’, diz Ana Paula Henkel sobre contratação de Moro por consultoria ligada à Odebrecht

Para a comentarista, isso pode prejudicá-lo se quiser concorrer à presidência em 2022; ‘Moro vai ajudar empresa que esteve no centro do cartel que ele ajudou a derrubar’, afirmou Fiuza

  • Por Jovem Pan
  • 30/11/2020 20h18
Dida Sampaio/Estadão ConteúdoEx-ministro da Justiça e Segurança Pública será o responsável por comandar a área de disputas e investigações a partir de dezembro

O ex-juiz da Operação Lava Jato Sergio Moro foi anunciado como o novo contratado da consultoria americana Alvarez & Marsal neste domingo, 29. A empresa atua como administradora do processo de recuperação judicial do Grupo Odebrecht, empreiteira investigada pela Lava Jato, operação da qual Moro se tornou referência. O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública será o responsável por comandar a área de disputas e investigações a partir de dezembro. Para os comentaristas do programa Os Pingos nos Is, da Jovem Pan, após ter saído do governo envolto em polêmicas, Moro se coloca em uma nova “saia justa”. “Sempre falamos que tem que separar o juiz Moro da Lava Jato, que mudou o perfil do Brasil em termos de luta e combate contra a corrupção, do que saiu do governo. A maneira como saiu e agora entra nessa consultoria, acho que é uma saia justa, e se ele pensa em uma corrida presidencial isso pode voltar a beliscá-lo”, afirmou a ex-jogadora de vôlei Ana Paula Henkel.

O também comentarista Guilherme Fiuza criticou a decisão por sua representação simbólica, já que Moro vai ajudar a Odebrecht, empreiteira que esteve “no centro do cartel que ele ajudou a derrubar”. “Não que não seja uma ajuda legítima, mas os símbolos falam muito alto. A empresa esteve no centro do cartel que Moro ajudou a derrubar, no centro de uma coisa gravíssima que ele ajudou a demonstrar”, disse. “Já foi complicado para a credibilidade dele sair do cargo de juiz e entrar no governo Bolsonaro. Agora é mais complicado ainda, todas as ações vão ser lidar como se estivesse tirando vantagem do seu conhecimento para tentar recuperar uma empresa que se prejudicou por conta de suas ações criminosas. Ele está se colocando em uma saia justa”, continuou.

Fiuza lembrou, ainda, que o ex-ministro saiu de uma forma “complicada” do governo Bolsonaro, acusando o presidente de ter tentado interferir na Polícia Federal. “Está no direito dele, mas eu não faria isso. Desde que deixou de ser juiz, que foi para entrar no governo, ficou no centro de uma grande polêmica. Foi de servidor público para o governo, e a forma como rompeu aquela missão [ser ministro da Justiça] com aquelas denúncias… Depois ficou em um lugar procurando se cacifar politicamente de uma maneira equivocada. Virou um Rodrigo Maia, Sergio Moro da Lava Jato virou estilo Maia. Ficou um pouco perdido e desnorteado em relação aos objetivos dele”, afirmou o comentarista.

Assista ao programa na íntegra: