Ernesto Araújo diz que ‘não se preocupa’ com divulgação de vídeo de reunião ministerial

Ministro esteve na reunião interministerial com Bolsonaro e Moro. Gravação faz parte de inquérito no STF

  • Por Jovem Pan
  • 11/05/2020 19h13 - Atualizado em 12/05/2020 08h01
FÁTIMA MEIRA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDOErnesto Araújo, ministro das Relações Exteriores

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou nesta segunda-feira (11) durante entrevista exclusiva ao programa Os Pingos Nos Is, da Jovem Pan, que “não tem preocupação” com uma eventual divulgação do vídeo da reunião interministerial realizada em 22 de abril com o presidente Jair Bolsonaro.

O vídeo da reunião faz parte do inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga suposta tentativa de interferência de Bolsonaro na diretoria-geral da Polícia Federal.

“Não tenho preocupação nenhuma. Como [o assunto] está sujeito ao procedimento judicial, não gostaria de entrar no mérito, no conteúdo. Acho que, por princípio, tudo o que existe nas reuniões interministeriais é tratado ali de maneira republicana”, disse.

Durante o encontro, que contou com a participação do então ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro, Araújo teria criticado a China diante da pandemia de coronavírus, e o ministro da Educação, Abraham Weintraub, teria ofendido ministros do Supremo.

O vídeo, que já foi entregue pelo Planalto ao STF, será exibido nesta terça para Moro, representantes da PGR e da AGU.

“Falta de transparência” na OMS

Na entrevista, o chanceler voltou a criticar a maneira como a Organização Mundial da Saúde (OMS) vem tratando a pandemia do novo coronavírus. Segundo ele, “falta transparência” à organização.

“Esses organismos são atores à parte com opinião e agendas próprias. Muitos outros países têm essa preocupação e nós defendemos que haja transparência na OMS.”

“Problema de leitura” e “comunavírus”

O ministro também comentou a polêmica em torno de um texto, publicado em seu blog pessoal, onde afirma que o coronavírus “nos faz despertar novamente para o pesadelo comunista” e chega a classificar o vírus causador da Covid-19 como “comunavírus”.

Segundo ele, o texto é uma análise das ideias defendidas pelo filósofo Slavoj Žižek. Ao comentar uma das obras de Žižek, o chanceler cita que “o globalismo é o novo caminho do comunismo”, que vinha sendo traçado desde a queda do muro de Berlim.

“Muitas pessoas não entenderam que eu estava analisando e criticando e acharam que eu estava criando ou vendo um complô comunista quando, na verdade, é ele quem está falando. Foi um problema de leitura”, explicou.