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Saúde

Burnout e estresse: o que realmente diferencia essas duas condições

A psicóloga Marilda Emmanuel Novaes Lipp explica por que burnout e estresse têm causas, evolução e formas de cuidado distintas

Brazil Health

Homem estressado
Homem estressado Pixabay

Burnout pode ser consequência de um stress excessivo e prolongado, mas não é a mesma coisa que stress. De modo simples, pode-se dizer que, no burnout, o mundo perde o brilho; no stress, é a própria pessoa que, temporariamente, sente que perdeu energia para lidar com as exigências da vida.

O stress, em geral, está relacionado ao excesso: excesso de demandas, de pressões, de responsabilidades e de estímulos que sobrecarregam o corpo e a mente. Na crise de stress, a pessoa costuma sentir que, se conseguir reduzir as demandas do momento, descansar ou reorganizar sua rotina, a vida poderá voltar ao normal.

No burnout, o indivíduo sente que nada é suficiente, que nada vale a pena e que o trabalho perdeu seu significado. Surge um vazio emocional, acompanhado de falta de expectativa, desmotivação e desesperança quanto à possibilidade de a situação ser resolvida. Há uma sensação profunda de desilusão, como se a dedicação, o esforço e o compromisso investidos ao longo do tempo tivessem sido em vão.

A vida profissional, que antes podia ser fonte de realização, passa a perder o encanto. Pequenos desafios começam a parecer grandes obstáculos, e aquilo que antes era feito com entusiasmo – muitas vezes até com paixão – passa a ser vivido com distanciamento, cansaço e aparente falta de interesse.

Diferenças no tempo de evolução e na recuperação

No stress, a pessoa ainda luta para dominar os desafios. Ela sente que há muitas responsabilidades a cumprir e, frequentemente, acredita que precisa fazer mais para dar conta de tudo. Um alívio, ainda que temporário, pode surgir com um fim de semana de descanso, férias ou redução da carga de trabalho.

No burnout, porém, um dos sintomas mais preocupantes é a exaustão emocional persistente. Diferentemente do que ocorre em muitas situações de stress, essa exaustão não costuma desaparecer apenas com férias ou alguns dias de repouso.

Outra diferença importante está na forma como cada quadro se desenvolve. O burnout costuma surgir de maneira gradual. A pessoa vai perdendo o entusiasmo aos poucos, desiludindo-se lentamente, até sentir que nada pode mudar o que está acontecendo. Já no caso do stress, a reação pode ser mais imediata diante de uma situação de pressão intensa.

É importante destacar que a fase mais grave do stress, chamada fase de exaustão, pode apresentar características semelhantes às do burnout, especialmente pela presença de sintomas depressivos e intenso desgaste físico e emocional.

As duas condições também podem coexistir, quando a pessoa está sob stress excessivo, ela não percebe que o burnout começa a se desenvolver. Ao notar o desânimo e a queda de energia, pode se obrigar a trabalhar ainda mais para compensar o que sente, agravando o processo.

Embora relacionados, stress e burnout são fenômenos diferentes e exigem formas de cuidado também diferenciadas. O prejuízo que ambos podem causar às empresas, às relações pessoais e à saúde do indivíduo mostra a necessidade urgente de ampliar a divulgação e a compreensão sobre o tema.

Marilda Emmanuel Novaes Lipp – CRP: 0616-187
PhD em Psicologia Clínica pela George Washington University