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Saúde

Enxaqueca crônica: saiba o que há de mais moderno no tratamento da doença

Nova geração de medicamentos, avanços em neuromodulação e maior conscientização sobre estilo de vida ampliam as opções de tratamento da enxaqueca crônica, uma condição que afeta milhões de brasileiros

Felipe Cerqueira

Mulher acorda na cama
2149149743 Freepik

Todo mundo conhece alguém com enxaqueca. O desafio é compreender se a doença está sendo diagnosticada e tratada de forma adequada. Será que tomar analgésicos todos os dias é uma boa ideia? A enxaqueca crônica, ou migrânea crônica, é uma doença neurológica marcada por crises de dor intensas e incapacitantes, geralmente acompanhadas de náuseas, vômitos, sensibilidade à luz, sons e cheiros, além de intolerância ao exercício.

Pode haver ainda os fenômenos de aura, como alterações visuais e formigamentos. É uma condição com forte componente genético, mas profundamente influenciada pelo ambiente e pelos hábitos cotidianos. Muitos pacientes abusam de analgésicos, acreditando estar tratando a doença, mas isso acaba cronificando a dor. Segundo a OMS, cerca de 15% dos brasileiros convivem com enxaqueca, impactando diretamente a produtividade, a saúde mental e a qualidade de vida.

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A revolução do CGRP e os anticorpos monoclonais

Desde os anos 1970, sabe-se que o CGRP (Peptídeo Relacionado ao Gene da Calcitonina) está diretamente ligado à origem da enxaqueca. Essa substância, naturalmente presente no organismo, é produzida em maior quantidade por quem tem a doença. Ela atua na dilatação dos vasos cerebrais e nas conexões dos gânglios trigeminais, amplificando a dor.

Recentemente, a medicina passou a bloquear o CGRP de forma específica por meio dos chamados anticorpos monoclonais. São medicamentos injetáveis (erenumabe, galcanezumabe e fremanezumabe) aplicados por via subcutânea, com bons resultados clínicos e poucos efeitos adversos. Por isso, são considerados uma das maiores inovações no combate à enxaqueca crônica.

Além deles, há outras opções preventivas: medicamentos orais de diferentes classes, aplicação de toxina botulínica terapêutica em pontos específicos da cabeça e pescoço, e os chamados Gepants — nova classe de remédios com ação direta sobre o receptor do CGRP, úteis tanto na prevenção quanto no alívio de crises.

Neuromodulação, estilo de vida e abordagem integrada

Outra linha promissora é a neuromodulação não invasiva, que inclui estimulação elétrica transcutânea e estimulação magnética transcraniana. Em casos mais graves, pode-se considerar neuromodulação invasiva ou até cirurgia para descompressão de nervos periféricos relacionados à dor.

Mas o tratamento vai além dos medicamentos: exige mudanças de estilo de vida, identificação e controle de gatilhos, prática de atividade física e suporte psicológico. O neurologista tem papel central nesse processo, orientando cada etapa com base no perfil individual de cada paciente. É possível viver melhor mesmo com enxaqueca — e essa melhora começa com diagnóstico preciso, informação de qualidade e acompanhamento médico adequado.

*Por Dr. Lauro Sideratos (CRM 162531 – RQE 76.172)
Médico neurologista, titular da Academia Brasileira de Neurologia, membro da Sociedade Brasileira de Cefaleias e da Movement Disorders Society. 

 

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