Governo negocia importação de antídoto do metanol em meio ao aumento de casos de intoxicação
O governo brasileiro está em uma corrida para adquirir fomepizol, um medicamento essencial no tratamento de intoxicações por metanol. O esforço é uma resposta ao aumento de casos de envenenamento, relacionados ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas. O principal obstáculo é a ausência de registro do fármaco na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o que torna importação um processo urgente e complexo.
O metanol é um álcool de uso industrial que, quando consumido, se transforma em substâncias tóxicas que causam danos graves aos sistemas nervoso e hepático. O fomepizol age como um antídoto, bloqueando a formação desses compostos prejudiciais. Embora o Brasil tenha acesso ao etanol farmacêutico, que também retarda os efeitos do veneno, ele é considerado menos seguro e eficaz que o fomepizol.
Para garantir o acesso rápido ao medicamento, a Anvisa publicou um edital de chamamento internacional, buscando fabricantes e distribuidores com estoque disponível. O Ministério da Saúde também procurou diretamente produtoras estrangeiras, incluindo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para uma possível doação. Agências reguladoras de dez países, como Estados Unidos, União Europeia, Canadá e Argentina, foram contatadas para acelerar os trâmites de importação.
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Em paralelo, o governo está investindo na identificação de bebidas adulteradas. Três laboratórios foram mobilizados para analisar amostras suspeitas e as fiscalizações de campo estão em andamento em diversos estados, em parceria com as vigilâncias sanitárias locais. Segundo o Ministério da Saúde, 59 casos de possível intoxicação por metanol foram notificados até o momento, com 11 já confirmados. Uma morte foi registrada e outras sete estão sob investigação.
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