Em nova denúncia, Paulo Preto é acusado de lavagem de US$ 400 mil

  • Por Jovem Pan
  • 25/06/2019 10h55
Robson Fernandes/Estadão ConteúdoCrime, que movimentou contas no exterior, teria acontecido em 2016

A força-tarefa da Lava Jato do Ministério Público Federal no Paraná (MPF-PR) apresentou, nesta segunda-feira (24), uma nova denúncia contra Paulo Vieira de Souza. Conhecido como Paulo Preto, ele foi acusado pela prática de lavagem de dinheiro de US$ 400 mil. O crime teria acontecido em 2016.

O aprofundamento da investigação, que já o acusa de ser operador financeiro do PSDB durante o mandato do então governador José Serra, revelou que, em 23 de maio daquele ano, ele transferiu a quantia de sua conta na Suíça, mantida no nome da offshore Groupe Nantes, para a conta titularizada pela offshore Prime Cheer, numa instituição financeira sediada em Hong Kong e controlada pelo doleiro Wu-Yu Sheng.

Para a internalização do valor, houve uma operação invertida chamada de dólar-cabo, que disponibilizou o valor equivalente em reais no Brasil ao ex-diretor da Dersa.

As operações foram registradas em detalhes por Paulo Preto em seu celular. Nomeadas como “Grude – OK Rui Rei”, sendo “Rui Rei” um dos codinomes utilizados pelo operador Rodrigo Tacla Duran, como admitido por ele próprio perante Comissão Parlamentar Mista do Congresso Nacional. Nas anotações realizadas em maio e junho de 2016, Paulo  fez constar a taxa de conversão dos US$ 400 mil repassados no exterior e os valores das quatro operações de entrega dos valores em reais no Brasil.

A força-tarefa contou com novas informações e provas recebidas via cooperação internacional, e assim requereu a decretação de nova prisão cautelar de Paulo Vieira de Souza, argumentando que ficou evidenciado que, em liberdade, o operador persistiu dissipando o seu patrimônio obtido ilicitamente a partir da conta bancária que abriu no Deltec Bank nas Bahamas, para onde foram enviados, no início de 2017, cerca de US$ 34 milhões que antes mantinha na Suíça.

A partir da nova conta em Bahamas, foram realizadas ao menos sete transferências, entre 2017 a 2019, que somaram mais de US$ 5 milhões, conforme discriminado na peça acusatória.

*Com informações do repórter Daniel Lian