Confederação Israelita repudia falas de Renan Calheiros: ‘Desrespeito à memória das vítimas do Holocausto’
O relator da CPI da Covid-19, Renan Calheiros (MDB), comparou as responsabilidades da comissão do Senado às funções do Tribunal de Nuremberg — responsável por julgar o alto escalão nazista pelos crimes cometidos contra a humanidade durante a Segunda Guerra Mundial. “Nuremberg reuniu e puniu inúmeros próceres nazistas e, até hoje, há questionamentos sobre o próprio julgamento. Por exemplo, se não foi apenas um julgamento dos vencedores ou se a sentença de pena de morte pelos crimes cometidos deveria ter sido apenas uma pena de prisão. Estes são balizadores importantes”, disse Calheiros na sessão desta terça-feira, 25. Frente ao posicionamento, a Confederação Israelita do Brasil (Conib) divulgou uma nota de repúdio às falas do relator.
“A Conib repudia mais uma vez comparações completamente indevidas do momento atual, agora feitas na CPI da Covid, aos trágicos episódios do nazismo que culminaram no extermínio de 6 milhões de judeus no Holocausto. Essas comparações, feitas muitas vezes com fins políticos, são um desrespeito à memória das vítimas do Holocausto e de seus descendentes”, registrou o comunicado. Atualmente, a instituição tem trabalhado para divulgar o trabalho realizado na campanha “Não compare o incomparável”, que prevê conscientizar a população sobre a tragédia sofrida pelos judeus e desestimular a banalização do Holocausto.
Nesta manhã, Calheiros disse ainda que a comissão “não é um tribunal de guerra, nem de exceção”, mas sim uma “instituição da democracia”. As comparações irritaram alguns senadores presentes na reunião, que chegaram a interromper a fala do relator. Entre eles, os parlamentares Fernando Bezerra (MDB), Marcos Rogério (DEM), Luis Carlos Heinze (PP) e Flávio Bolsonaro (Republicanos). O presidente da comissão, Omar Aziz (PSD) precisou intervir na confusão e pedir que Calheiros prosseguisse sua fala sem traçar paralelos com o Tribunal de Nuremberg. Em resposta à Aziz, o relator afirmou que não seria censurado. “Estou fazendo uma avaliação. Eu não serei censurado. […] Não podemos dizer ainda que no Brasil ocorreu um genocídio, mas podemos afirmar sim que há semelhanças assustadoras, terríveis, tenebrosas e perturbadoras no comportamento de algumas autoridades que testemunharam aqui na CPI o relato que acabei de ler sobre um dos marechais do nazismo no Tribunal de Nuremberg — negando tudo, enaltecendo Hitler e apresentando-se como salvadores da pátria, enquanto a história provou que faziam parte de uma máquina da morte”, concluiu Renan Calheiros.
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