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Com os 70 corpos colocados em praça pública, número de mortos na Operação passa de 130

Cena de guerra choca o Rio de Janeiro no dia seguinte à operação policial mais letal da história do estado; número de vítimas pode ser ainda maior do que o divulgado oficialmente

Nicolas Robert

Moradores da comunidade transportam dezenas de corpos para a Praça São Lucas, um dia após a região ter sido palco da operação policial mais letal já registrada no estado
Moradores da comunidade transportam dezenas de corpos para a Praça São Lucas, um dia após a região ter sido palco da operação policial mais letal já registrada no estado JOSE LUCENA/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO

O saldo da operação policial mais letal da história do Rio de Janeiro pode ser drasticamente maior do que o anunciado. Após o governo estadual confirmar 64 mortes na ação de terça-feira (28), moradores do Complexo da Penha passaram a madrugada e a manhã desta quarta-feira (29) recolhendo dezenas de outros corpos em uma área de mata, elevando a contagem total da tragédia para mais de 130 vítimas.

Durante a noite, cerca de 70 corpos foram encontrados na região da Serra da Misericórdia, onde ocorreram os confrontos mais intensos, e levados pelos próprios moradores em caminhonetes para a Praça São Lucas, no centro da comunidade. A cena, descrita como brutal e chocante, transformou o local em um velório a céu aberto, com dezenas de corpos enfileirados e cobertos por lonas e lençóis, enquanto familiares tentavam fazer o difícil reconhecimento.

Moradores da comunidade transportam dezenas de corpos para a Praça São Lucas, um dia após a região ter sido palco da operação policial mais letal já registrada no estado

Moradores da comunidade transportam dezenas de corpos para a Praça São Lucas

Ainda não há uma confirmação oficial se essas vítimas já estavam incluídas no balanço inicial da “Operação Contenção”, que registrou 60 suspeitos e quatro policiais mortos. O secretário da Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes Nogueira, afirmou que a corporação vai investigar a situação. No entanto, lideranças comunitárias e ativistas que acompanham o caso afirmam que os corpos encontrados na mata não faziam parte da contagem oficial, o que, se confirmado, praticamente dobraria o número de mortos.

A pedido dos familiares, os corpos foram exibidos à imprensa antes de serem cobertos, como forma de denúncia e para registrar a violência da ação policial. Ativistas que atuam na região classificaram o episódio como “o maior massacre da história do Rio de Janeiro”.

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A megaoperação, deflagrada para cumprir mandados de prisão contra integrantes de uma facção criminosa nos complexos da Penha e do Alemão, mobilizou cerca de 2.500 agentes e resultou em 81 prisões e na apreensão de 72 fuzis. A ação mergulhou a cidade em um cenário de caos, com vias interditadas e transportes públicos impactados. O presidente Lula convocou uma reunião de emergência para discutir a crise de segurança no Rio.

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