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Política

Lula diz que Brasil ‘cansou de ser pequeno’ e quer liderar transição energética

Na abertura da maior feira industrial do mundo, em Hanôver, na Alemanha, presidente defendeu protagonismo global do país em energia limpa

Nicolas Robert

Presidente Lula (PT) durante discurso na Feira Industrial de Hanôver, na Alemanha
Presidente Lula (PT) durante discurso na Feira Industrial de Hanôver, na Alemanha Ricardo Stuckert / PR

O presidente Lula (PT) afirmou nesta segunda-feira (20) que o Brasil “cansou de ser pequeno” e tem condições de assumir a liderança global na transição energética. A declaração foi feita na Alemanha, durante a abertura do pavilhão brasileiro na Feira Industrial de Hanôver (Hannover Messe 2026), o maior evento de inovação e tecnologia industrial do mundo.

Em seu discurso para autoridades e empresários brasileiros e alemães, o petista defendeu uma nova posição do país no cenário econômico internacional e disse que o Brasil está preparado para competir globalmente.

“O Brasil é um país que quer se transformar numa economia rica. Nós cansamos de ser tratados como um país pobre e um país pequeno”, afirmou.

O presidente destacou a capacidade tecnológica e industrial do país, citando empresas como a Petrobras e a Embraer como exemplos de competitividade internacional. Segundo ele, o Brasil pode compartilhar tecnologia com a Europa, a América do Sul e também ampliar parcerias com países africanos.

Lula também reforçou a estratégia de posicionar o país como líder na economia verde. Ele afirmou que o Brasil reúne condições para se tornar uma potência na oferta de combustíveis renováveis. “Nós não estamos falando pouca coisa”, disse.

De acordo com o presidente, cerca de 90% da matriz elétrica brasileira é renovável, o que coloca o país em vantagem frente a economias industrializadas. Ele destacou ainda o uso de biocombustíveis, como a mistura de etanol na gasolina e de biodiesel no diesel, e propôs uma comparação internacional das emissões de combustíveis, especialmente no transporte de cargas.

“Vamos fazer uma comparação entre os combustíveis brasileiros e os combustíveis alemães ou de qualquer outro país, para ver qual emite menos CO₂”, afirmou.

Visita à feira

Após a cerimônia, Lula visitou estandes de empresas brasileiras e acompanhou a apresentação de veículos movidos a biocombustível, incluindo caminhões abastecidos com biodiesel.

O presidente afirmou que a participação brasileira no evento vai além da exposição de produtos e busca ampliar a cooperação tecnológica com a Alemanha. Segundo ele, o objetivo é aprender com a indústria global e, ao mesmo tempo, mostrar a capacidade nacional de inovação.

Lula também defendeu o aprofundamento das relações bilaterais, destacando oportunidades de investimento, intercâmbio científico e desenvolvimento conjunto de cadeias produtivas sustentáveis.

Ao encerrar o discurso, o presidente disse que o Brasil busca um novo papel no cenário internacional, com protagonismo econômico e compromisso ambiental. “Depois da participação do Brasil nesta feira, a relação Alemanha e Brasil nunca mais será a mesma”, afirmou.

O Brasil volta a ser parceiro oficial da feira após 46 anos. A edição de 2026 reúne mais de 300 empresas brasileiras, incluindo startups e expositores distribuídos em seis pavilhões.