Afif: Setor financeiro não gosta de novo imposto proposto pela reforma tributária
O assessor especial do ministro Paulo Guedes (Economia), Guilherme Afif Domingos, afirmou, em entrevista ao Pânico, da Jovem Pan, nesta terça-feira (28), que o setor financeiro “não gosta” da reforma tributária proposta pelo Ministério da Economia. Um dos pontos do projeto é criar um imposto sobre operações financeiras digitais. Segundo Afif, esse tributo será “um imposto moderno de baixíssima incidência, mas que pegue todo mundo”. O economista explicou que a intenção da reforma é desonerar a mão de obra. “O salário hoje é muito para quem paga e pouco para quem recebe”, disse.
Afif afirmou que a reforma tributária busca modernizar o sistema tributário brasileiro, que, segundo ele, é “medieval”. “Nós estamos ainda no processo de burocracia excessiva”, lamentou. “O sistema tributário é um conjunto de exceções que queremos chamar de regra, mas não conseguimos”, continuou. A proposta foi apresentada ao Congresso em fatias, o que gerou algumas críticas ao Ministério da Economia. O assessor explicou por que a gestão de Guedes decidiu seguir por esse caminho. “Um boi se engole aos bifes. Se você engolir o boi inteiro, engasga com os chifres”, disse. “Tem que ter a noção do global, mas vai fatiando para poder ir passando. Se quiser passar inteiro, é muito difícil.”
CPMF
Ainda na entrevista, Guilherme Afif Domingos rechaçou a ideia de que esse novo imposto sobre as transações digitais é uma nova versão da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). “Ele é mais ampliado e adaptado à realidade digital de hoje que a CPMF”, garantiu. O tributo foi criado em 1997 e incidia sobre todas as movimentações bancárias, ficando em vigor por 11 anos. Afif defendeu a ideia da CPMF, mas disse que o tributo, que era para ser um imposto único, acabou virando o 59º do sistema tributário. “O povo recebeu o imposto como um engodo, mas é muito mais moderno do que todos os outros que tem por aí”, afirmou.
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